domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ciclo

Dói
Lateja
Sufoca
Do sufocamento à calma
Da angústia à liberdade do ar

Respira
Aperta de novo
Dói
Lateja
Sufoca

Por um breve momento respira
Esquece
Enternece
Sente o ar

Expira
E aperta
Dói
Lateja
Sufoca

Respira
O ar entra com frieza
Sai com toda leveza

E fora sente o frio de que não sabe
Endurece
Aperta
Dói
Sufoca
Lateja
Lateja esperando pelo suspiro.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Silêncio

Precisa do silêncio
Da calma
Do espaço
Do vão

Precisa do tempo
Tempo de deixar
Tempo de assentar
Tempo pra calar

Precisa da pausa

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Pode-se

Quando bate o vento
Pode-se a porta fechar
Pode-se o trinco cerrar
Pode-se a chave cair

Quando chove
Pode cair tempestade
Pode serenar
Pode ser chuvisco ou granulado

Pode-se o tempo passar
Pode-se passar pelo tempo
Pode-se ficar no instante
Pode-se num instante estar

A porta pode ficar entreaberta
Pode fechar
Pode trancar ou até emperrar
Pode o vento ser leve
Pode a chuva soprar forte

Pode ser brisa
Pode ser maresia
Pode ser tempestade

Há que se entender o poder
Há que se saber esperar
Há que se cumprir o sentir
Há que se deixar de levar

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Venha

Venha quando quiseres
Quando tiveres sede
Quando sentires o chão

Venha com os pés
Mas que sejam os seus
Não os meus a te guiar

Venha de peito aberto
De alma lavada
De rosto tranquilo

Venha por si
Consigo
Com a sorte e a certeza

Venha pelo destino
Pelo traço já feito
Pelo caminho percorrido

Espero
Até o tempo que seja
Tempo em que a minha certeza
Ainda caiba na sua

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Dança

A esperança dança
Rodopia, segue o passo
Até onde a linha alcança

A esperança roda
Faz novelos de lã
Em cima do traço
Sabe que não é vã

A esperança é verde
Colorida, cor pastel
Cor de vento que assopra
Cor de folha que se mexe

Roda, roda roda
Anda pra trás
Movendo pra frente
Como uma dança sem passo certo
Como música de pé de ouvido.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Mais respeito

Mais respeito que eu sou grande
Mais respeito que eu sou forte
Mais respeito que apesar de curto,
Sou firme, intenso, bravo

Mais respeito que corto como faca
Que borbulho como água fervendo
Que aperto como último buraco do sinto

Mais respeito que não vou embora agora
Vim pra ficar
Ficar o tempo que der
Não o tempo que você quiser

Mais respeito que finco o pé
Não me mexo
Fico parado, mesmo se sacudido

Não sou leve como pluma
Não voo como papel no vento
Não vou embora como a água que escorre

Mais respeito que fico
Que faço
Que crio, construo e destruo

Mais respeito que sou teimoso
Mais respeito que sou valente

E se tentares, em vão,
Me tirar do lugar onde estou
Eu grito, eu clamo, eu faço barulho

Mais respeito que vou
Mas vou quando quiser
Quando for a hora de partir.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Músculo vazio

Músculo que pulsa
Vazio que se acumula
Parte que falta
Falta que não cabe

Vazio que não se contém
Buraco rasgado
Miolo arrancado
Aperto calado

Calado que grita
Quer sair
É preso
Não pode falar
Se cala
E pulsa.
E pulsa
E pulsa

Pulsa como quem quer ir embora
Como quem não pode esperar
Como quem quer agora

A não espera
A não demora
O contrário da falta
O vazio completo