Não falo demais
Não falo de menos
Não lanço os plurais
Não sou de remendos.
Acerto a medida
Comedida nos passos.
Me moldo às rimas
Colando os pedaços.
Não saio do traço
Nem transbordo dos laços
Sou pedra tolhida
Sou sombra ante os espaços.
Polida na vida
Me vigio todos os passos.
espaço do equilibrista para pensar, refletir e atravessar a corda, que nunca termina, sempre se transforma.
terça-feira, 25 de março de 2014
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Sem Carnaval
Não, não quero carnaval
Minha alma passou do portal.
Não vivo alegria fatal
Me encolho no inverno
Na dor desigual.
Não me espalho como coisa banal
Me recolho com meus cacos
Me despedindo daquilo que foi carnal.
A carne sangra como busca vital
O sangue jorra pela pele
Derramado como a pá de cal.
Não, não quero carnaval
Minha alma passou do ponto
Minha tristeza se recolhe num canto.
Sou pequena, sou murcha
Sem flor, sem cor, sem amor.
Quero meu canto, meu pranto
Quero descanso pra alma que perdeu seu carnaval.
Minha alma passou do portal.
Não vivo alegria fatal
Me encolho no inverno
Na dor desigual.
Não me espalho como coisa banal
Me recolho com meus cacos
Me despedindo daquilo que foi carnal.
A carne sangra como busca vital
O sangue jorra pela pele
Derramado como a pá de cal.
Não, não quero carnaval
Minha alma passou do ponto
Minha tristeza se recolhe num canto.
Sou pequena, sou murcha
Sem flor, sem cor, sem amor.
Quero meu canto, meu pranto
Quero descanso pra alma que perdeu seu carnaval.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Espera que passa
Espera que passa, menina.
Menina não quer esperar
Não tem tempo a aguardar
Não há esperar pra se guardar.
Menina, seu tempo já foi
Menina dos olhos que já não se vê
Menina que no tempo não crê.
Espera, menina, que passa
O tempo cura e o mal arrasta
Menina que o tempo não esparsa
Menina que o tempo não abraça.
Espera menina, tudo passa.
Na espera o corpo se esgarça
De tanta espera, já não é mais menina
Da esgarça, a alma se finda.
Menina não quer esperar
Não tem tempo a aguardar
Não há esperar pra se guardar.
Menina, seu tempo já foi
Menina dos olhos que já não se vê
Menina que no tempo não crê.
Espera, menina, que passa
O tempo cura e o mal arrasta
Menina que o tempo não esparsa
Menina que o tempo não abraça.
Espera menina, tudo passa.
Na espera o corpo se esgarça
De tanta espera, já não é mais menina
Da esgarça, a alma se finda.
sábado, 18 de janeiro de 2014
Para trás
A indecisão
A espera
O medo
A quimera
Me consome por dentro
A incerteza que me acomete
O espaço que me derrete
O amor que não se promete
Sua ausência me beija
O castelo se despeja
O abraço não dado
O peito apertado
Te espero de lábios colados
Pra que voltes pra mim
Como num dia viestes assim.
Com amor
No passo de trás.
A espera
O medo
A quimera
Me consome por dentro
A incerteza que me acomete
O espaço que me derrete
O amor que não se promete
Sua ausência me beija
O castelo se despeja
O abraço não dado
O peito apertado
Te espero de lábios colados
Pra que voltes pra mim
Como num dia viestes assim.
Com amor
No passo de trás.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Raiva
Do passo que a raiva
Do espaço que não caiba
Do egoísmo escondido
Da falta de amor que é sentido
Me entranho num mundo particular
Sem saída, sem portas, sem ar.
Me espalho por mim mesma
Num círculo sem fim.
Quem é você pra atrapalhar meus sonhos?
Quem é você que entraste aqui pra resolver os seus?
Saia que esse espaço não é seu.
O espaço é meu. O estrago é só meu.
Não pense que mato você de raiva
Não pense que te rasgo por entre a raia
Pense que me esmago por debaixo da saia
Que me contraio pra que aquilo não saia.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Chão
As coisas se constroem em cima do chão
O barro precisa da água pra se endurecer
A casa precisa do chão pra não se esmorecer.
As coisas se constroem assim como o pão.
Massa pra descansar, fermento crescer.
E tempo pra poder ganhar.
Tempo que há de se ter que perder.
As coisas se constroem em cima do chão.
Pedra em cima de pedra
Cal por cima do pó.
Raiz que se entremeia na terra
Folha que nasce do grão.
As coisas se constroem sobre um chão.
Fogo sem brasa, aperto de mão.
Pluma que é leve, levada no vão.
As coisas se constroem pra ficar no chão.
E assim, dia após dia, deixo a porta aberta
Pra que você venha ou não.
Deixo-te livre
Pra construir comigo seu chão escolher outro portão.
O barro precisa da água pra se endurecer
A casa precisa do chão pra não se esmorecer.
As coisas se constroem assim como o pão.
Massa pra descansar, fermento crescer.
E tempo pra poder ganhar.
Tempo que há de se ter que perder.
As coisas se constroem em cima do chão.
Pedra em cima de pedra
Cal por cima do pó.
Raiz que se entremeia na terra
Folha que nasce do grão.
As coisas se constroem sobre um chão.
Fogo sem brasa, aperto de mão.
Pluma que é leve, levada no vão.
As coisas se constroem pra ficar no chão.
E assim, dia após dia, deixo a porta aberta
Pra que você venha ou não.
Deixo-te livre
Pra construir comigo seu chão escolher outro portão.
domingo, 1 de setembro de 2013
Desenho apagado
Na folha quadrada e branca
Desenhou um castelo de madeira
Pintado de branco
Com torres altas
Com portas abertas.
Foi desenhando lagos, patos,
árvores e flores coloridas.
Mas eis que o desenho não cabia no Espaço,
Não cabia no Tempo
Pra Vida, ainda não era hora.
Quem deu ordens de desenhar tantas cosias?
E desatou a desconstruir o que a Vida não tinha pedido.
Foi apagando os traços das torres,
Tirando o azul do lago,
O verde das árvores e arrancando as flores uma a uma.
A Vida não deixou que ficasse uma só grama no papel.
Quem era aquela a lhe desafiar? Colocando flores onde ela queria pedras?
Pintando lagos onde ela queria terra?
Por último a Vida mandou fechar as portas do castelo. E que ela só abrisse quando mandasse.
Afinal, era preciso proteger o castelo e era Ela que dizia quando abrir as portas.
Mas a menina queria abrir todas as portas, os vidros, as janelas. Queria grama e flores coloridas.
Mas com a Vida não se discute. Numa rajada de vento fechou as portas.
E a menina obedeceu, na esperança que o Tempo as abrisse.
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