Eu tenho um mundo de amor
Amor que não cabe nos braços
Amor que não cabe dentro em si.
Amor que quer correr e abraçar
Amor que quer viver e se dar
Amor que é maior que o mundo.
Amor que enfrenta a terra, o céu
O limite, o sol, o inverno.
Eu tenho um mundo de amor dentro de mim
Amor destinado
Amor traçado
Amor certo
Amor sem medo de ser piegas
Amor sem medo de se dar
Amor que precisa de espaço
Amor que precisa de tempo.
Eu tenho um mundo de amor pra dar
Pra sorrir
Pra cantar
Pra olhar.
Amor que já não cabe mais em si
Amor que precisa ser dado
Amor que precisa de destino
Não cabe mais dentro em si
Não sabe mais viver dentro
Precisa ir
Ser levado, ser amado.
Eu guardo dentro de mim um amor sem fim
Amor guardado, amor criado, amor que se basta
Amor pra ser dado, que cresce, toma conta.
Amor que precisa do ser amado.
espaço do equilibrista para pensar, refletir e atravessar a corda, que nunca termina, sempre se transforma.
terça-feira, 8 de março de 2011
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Arte Extraordiária
O Na Corda Bamba dá uma pausa nos poemas intensos para falar em prosa sobre uma experiência incrível vivenciada há menos de três horas.
Trata-se do filme " Lixo Extraordinário", que conta a história de diversos catadores de lixo (ou catadores de material reciclável, como eles mesmo se entitulam) que participaram das criações de Vik Muniz.
A expressão, a história e até a dor de cada personagem, aliada a vontade de mudar o mundo do artista, nos traz um traço de como podemos entender e exergar a dignidade humana.
Talvez esses, que viviam (digo viviam porque não vivem mais, mudaram de vida) imersos em sujeira, micróbios e expostos a doenças, misturando carne humana com lixo; experimentando de uma qualidade vida que muitos sequer consideram vida. Esses são talvez cidadãos dos mais dignos que já pude ver.
O filme mostra uma vontade de mudar o mundo, misturada com uma mudança de mentalidade, de sensibilidade e autoestima trazida pela arte. E é ela, junto com a dignidade, a personagem principal desse filme.
É a arte a combinação de sons, palavras, gestos, cores, materiais que geram uma reação em cada pessoa. Em certo momento Vik pergunta a Sebastião se alguma coisa deixa de ser arte porque não desperta nenhum sentimento ou se isso ocorre por falta de conhecimento. A própria discussão dos dois, como na Maiêutica em que o professor tira do aluno o conhecimento que já está dentro dele, leva Tião a chegar a conclusão de que arte necessita sim, de conhecimento para ser apreciada como tal.
A mudança que a arte provoca na vida de cada um, o auto reconhecimento de cada um como ser humano e ser atuante no mundo. Os próprios foram transformados pela arte e foram meio de transformação na vida de diversas outras pessoas, assim como essa que vos fala.
A arte está então em juntar peças diversas de maneira única, juntar mateiriais desconexos de tal forma que outro não faria. Duas pessoas não pintariam o mesmo quadro com as mesmas tintas.
A arte está então na manisfestação interna de cada um, do desejo e não desejo transformado em produto interno. Daquilo que não pode ser exprimido como real total. A arte é o interior de cada um se utilizando de cores, pincéis, argila, palavras, bronze, mármore.
A arte então deixa de ser a mera reprodução para ser a produção única e autônoma de cada indivíduo acerca daquilo que vê, acerca das transformações que faz dentro de si, da maneira como enxerga e vive o mundo.
A arte pode estar em um simples olhar diferente para o céu azul do verão? Ou é necessária uma experiência e um produto concreto e externo para que deixe de ser sentimento e vire arte?
Vik Muniz e seu trabalho com os catadores, junto com obras e obras vistas, olhares e olhares perplexos sobre pinturas, me levaram a toda essa reflexão acerca do que é arte, por que se faz arte e entender que todos sim, somos artistas, a partir do momento em que todos nos expressamos no mundo de alguma forma.
Seria possível viver no mundo sem arte?
Talvez os próprios catadores ainda não tivessem podido experimentar o mundo com arte, talvez não tivessem ainda se dado conta da arte na própria vida.
Tião diz: "Um dia ainda vou comprar meu quadro de volta". Um devaneio talvez para quem o enxergue somente como um catador de lixo que teve uma pequena oportunidade dada por um artista de reconhecimento internacional e que, deslumbrado, teria que voltar a sua vida de pobreza e miséria. Pra mim, Tião é um sujeito pensante, atuante, reflexivo e detentor dos próprios sonhos e do rumo de sua vida.
Definitivamente não foi só o dinheiro das obras que transformou a vida dessas pessoas.
Foi a arte.
Trata-se do filme " Lixo Extraordinário", que conta a história de diversos catadores de lixo (ou catadores de material reciclável, como eles mesmo se entitulam) que participaram das criações de Vik Muniz.
A expressão, a história e até a dor de cada personagem, aliada a vontade de mudar o mundo do artista, nos traz um traço de como podemos entender e exergar a dignidade humana.
Talvez esses, que viviam (digo viviam porque não vivem mais, mudaram de vida) imersos em sujeira, micróbios e expostos a doenças, misturando carne humana com lixo; experimentando de uma qualidade vida que muitos sequer consideram vida. Esses são talvez cidadãos dos mais dignos que já pude ver.
O filme mostra uma vontade de mudar o mundo, misturada com uma mudança de mentalidade, de sensibilidade e autoestima trazida pela arte. E é ela, junto com a dignidade, a personagem principal desse filme.
É a arte a combinação de sons, palavras, gestos, cores, materiais que geram uma reação em cada pessoa. Em certo momento Vik pergunta a Sebastião se alguma coisa deixa de ser arte porque não desperta nenhum sentimento ou se isso ocorre por falta de conhecimento. A própria discussão dos dois, como na Maiêutica em que o professor tira do aluno o conhecimento que já está dentro dele, leva Tião a chegar a conclusão de que arte necessita sim, de conhecimento para ser apreciada como tal.
A mudança que a arte provoca na vida de cada um, o auto reconhecimento de cada um como ser humano e ser atuante no mundo. Os próprios foram transformados pela arte e foram meio de transformação na vida de diversas outras pessoas, assim como essa que vos fala.
A arte está então em juntar peças diversas de maneira única, juntar mateiriais desconexos de tal forma que outro não faria. Duas pessoas não pintariam o mesmo quadro com as mesmas tintas.
A arte está então na manisfestação interna de cada um, do desejo e não desejo transformado em produto interno. Daquilo que não pode ser exprimido como real total. A arte é o interior de cada um se utilizando de cores, pincéis, argila, palavras, bronze, mármore.
A arte então deixa de ser a mera reprodução para ser a produção única e autônoma de cada indivíduo acerca daquilo que vê, acerca das transformações que faz dentro de si, da maneira como enxerga e vive o mundo.
A arte pode estar em um simples olhar diferente para o céu azul do verão? Ou é necessária uma experiência e um produto concreto e externo para que deixe de ser sentimento e vire arte?
Vik Muniz e seu trabalho com os catadores, junto com obras e obras vistas, olhares e olhares perplexos sobre pinturas, me levaram a toda essa reflexão acerca do que é arte, por que se faz arte e entender que todos sim, somos artistas, a partir do momento em que todos nos expressamos no mundo de alguma forma.
Seria possível viver no mundo sem arte?
Talvez os próprios catadores ainda não tivessem podido experimentar o mundo com arte, talvez não tivessem ainda se dado conta da arte na própria vida.
Tião diz: "Um dia ainda vou comprar meu quadro de volta". Um devaneio talvez para quem o enxergue somente como um catador de lixo que teve uma pequena oportunidade dada por um artista de reconhecimento internacional e que, deslumbrado, teria que voltar a sua vida de pobreza e miséria. Pra mim, Tião é um sujeito pensante, atuante, reflexivo e detentor dos próprios sonhos e do rumo de sua vida.
Definitivamente não foi só o dinheiro das obras que transformou a vida dessas pessoas.
Foi a arte.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Ciclo
Dói
Lateja
Sufoca
Do sufocamento à calma
Da angústia à liberdade do ar
Respira
Aperta de novo
Dói
Lateja
Sufoca
Por um breve momento respira
Esquece
Enternece
Sente o ar
Expira
E aperta
Dói
Lateja
Sufoca
Respira
O ar entra com frieza
Sai com toda leveza
E fora sente o frio de que não sabe
Endurece
Aperta
Dói
Sufoca
Lateja
Lateja esperando pelo suspiro.
Lateja
Sufoca
Do sufocamento à calma
Da angústia à liberdade do ar
Respira
Aperta de novo
Dói
Lateja
Sufoca
Por um breve momento respira
Esquece
Enternece
Sente o ar
Expira
E aperta
Dói
Lateja
Sufoca
Respira
O ar entra com frieza
Sai com toda leveza
E fora sente o frio de que não sabe
Endurece
Aperta
Dói
Sufoca
Lateja
Lateja esperando pelo suspiro.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Silêncio
Precisa do silêncio
Da calma
Do espaço
Do vão
Precisa do tempo
Tempo de deixar
Tempo de assentar
Tempo pra calar
Precisa da pausa
Da calma
Do espaço
Do vão
Precisa do tempo
Tempo de deixar
Tempo de assentar
Tempo pra calar
Precisa da pausa
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Pode-se
Quando bate o vento
Pode-se a chave cair
Quando chove
Pode cair tempestade
Pode serenar
Pode ser chuvisco ou granulado
Pode-se o tempo passar
Pode-se passar pelo tempo
Pode-se ficar no instante
Pode-se num instante estar
A porta pode ficar entreaberta
Pode fechar
Pode trancar ou até emperrar
Pode ser brisa
Pode-se a porta fechar
Pode-se o trinco cerrarPode-se a chave cair
Quando chove
Pode cair tempestade
Pode serenar
Pode ser chuvisco ou granulado
Pode-se o tempo passar
Pode-se passar pelo tempo
Pode-se ficar no instante
Pode-se num instante estar
A porta pode ficar entreaberta
Pode fechar
Pode trancar ou até emperrar
Pode a chuva soprar forte
Pode ser maresia
Pode ser tempestade
Há que se entender o poder
Há que se saber esperar
Há que se cumprir o sentir
Há que se deixar de levar
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Venha
Venha quando quiseres
Quando tiveres sede
Quando sentires o chão
Venha com os pés
Mas que sejam os seus
Não os meus a te guiar
Venha de peito aberto
De alma lavada
De rosto tranquilo
Venha por si
Consigo
Com a sorte e a certeza
Venha pelo destino
Pelo traço já feito
Pelo caminho percorrido
Espero
Até o tempo que seja
Tempo em que a minha certeza
Ainda caiba na sua
Quando tiveres sede
Quando sentires o chão
Venha com os pés
Mas que sejam os seus
Não os meus a te guiar
Venha de peito aberto
De alma lavada
De rosto tranquilo
Venha por si
Consigo
Com a sorte e a certeza
Venha pelo destino
Pelo traço já feito
Pelo caminho percorrido
Espero
Até o tempo que seja
Tempo em que a minha certeza
Ainda caiba na sua
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