Queria saber como faz pra não esperar, pra curtir a vida do jeito que está. Pra ser como as pessoas que, de repente um dia, sem pensar, encontraram!
Queria saber como faz pra ser feliz assim, mesmo sem se ter o que mais se quer.
Como faz? Como faz pra botar a receita que todos sabem de cor (inclusive eu) na prática?
Como faz pra mudar a chavinha?
Como faz pra incorporar, deixar pra trás, não pensar e ser feliz?
Como faz pra chegar no "quando menos se espera"? Tem receita pra isso? Tem receita pra esquecer que o tempo passa? Pra não ligar pro que não acontece? Pra entender mesmo que é dá pra ser feliz como que se tem sem se preocupar com o resto?
Se alguém sabe como faz pra fazer tudo isso, me diz, me conta, me dá a receita. Pra sair por aí livre, leve e solta e feliz "menos esperando" pra aí sim o que mais se espera bater a sua porta. Como faz? Dá pra tomar em pílulas? Dá pra pegar por osmose? Dá pra se ler num livro e se escrever num artigo?
Acho preciso mesmo de educação sentimental. Dá entrar no maternal? Será que ainda dá tempo de aprender? Quanto anos, quantas séries, quantas aulas tem que ter? Serei a aluna mais aplicada, farei todos os trabalhos, não faltarei a uma só aula. Mas contanto que o diploma não demore muito, não me mata o esforço, me angustio é com o tempo.
Queria mesmo saber como fazem os escritores de auto-ajuda, as mulheres bem resolvidas, os homens sem compromisso...
Queria mesmo saber...
espaço do equilibrista para pensar, refletir e atravessar a corda, que nunca termina, sempre se transforma.
sábado, 31 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Poema confuso
Não quer precisar de lá nem cá
Não quer ir com alguém ou ninguém
Quer ir só e inteira
Grande, em pé, certeira
Não vai se vestir de rosa
Não quer brincar com o azul
Quer o verde, o branco e o lilás
Mas ainda acha que sem rosa
Ainda acha que sem azul ou preto
Não fica bem só de verde e lilás
Ainda acha que precisa das cores vãs
Ainda quer, mesmo que por obrigação
Sentir contemplação por aquilo que já se foi
Não, não quer
Briga, bate o pé
Quer firmar o pé na base só
Mas o pé firma que tem que ter outro pé
Porque pé sozinho não finca no chão
Cisma que tem de ser dois
Porque ímpar não é sonho bom
Ímpar é falta
Cisma em ser par
Mesmo querendo ser impar/par
Cisma que a vida é a dois
Que a vida sem dois é vida só
Que vida só cai da corda
Que a corda é só pra um
E continua cambaleando
Entre o só e o dois
Entre o ímpar e o par
Não quer ir com alguém ou ninguém
Quer ir só e inteira
Grande, em pé, certeira
Não vai se vestir de rosa
Não quer brincar com o azul
Quer o verde, o branco e o lilás
Mas ainda acha que sem rosa
Ainda acha que sem azul ou preto
Não fica bem só de verde e lilás
Ainda acha que precisa das cores vãs
Ainda quer, mesmo que por obrigação
Sentir contemplação por aquilo que já se foi
Não, não quer
Briga, bate o pé
Quer firmar o pé na base só
Mas o pé firma que tem que ter outro pé
Porque pé sozinho não finca no chão
Cisma que tem de ser dois
Porque ímpar não é sonho bom
Ímpar é falta
Cisma em ser par
Mesmo querendo ser impar/par
Cisma que a vida é a dois
Que a vida sem dois é vida só
Que vida só cai da corda
Que a corda é só pra um
E continua cambaleando
Entre o só e o dois
Entre o ímpar e o par
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Planta dormideira
Olhou a caixa de clips que ganhara dele e mantivera durante todos aqueles anos. Não havia restado nada mais a não ser um uma caixa de clips que ela olhou em sua casa, gostou e ganhara de presente singelo.
Não o olhava mais como antigo amor, de vidas vividas e passadas. Olhava com estranheza àquela pessoa que, tão perto havia chegado um dia. Hoje era tudo bem mais longe. Nada mais que assuntos corriqueiros sobre o cotidoano dele. Dele, pois o dela não o interessava mais.
Tentava se aprofundar, lembrar-se de que um dia tinham sido tão próximos e tão queridos e isso é coisa que não se deixa de lembrar. Seriam sempre para um e para outro os primeiro passos de laços maiores. O primeiro namorado, a primeira namorada. Isso ninguém lhes tirava. Se alguém lhe perguntasse um dia ou falasse desse assunto em qualquer roda, era dele que se lembraria. E a ele poderia dizer o mesmo.
Não havia restado mais nada a não ser o carinho que, ela, insistia em manter, e aquela caixa de clips em formato de lápis. Acabava sempre esquecendo de mencionar o grande urso panda que ocupava metade de sua cama e que ganhara naquele único aniversário que viveram. Ele, o urso, tornou-se companheiro inseparável de todas as noites. E assim como a caixa de clips foi ficando, ficando e ficando a mostra, pois o resto; as fotos e presentes e cartões estavam guardados há anos dentro de uma caixa.
Não sentia falta dele ou do amor perdido e estabelecido no passado. Aquilo já vivia resolvido e passado há tantos anos, amores, laços e desfios depois. O que não a deixava a mente quieta era ver que com ele, logo com ele, o primeiro, aquele com quem aprendeu a viver junto, a ceder, a brigar e a fazer as pazes; logo com ele não conseguia passar do vai-e-vem da vida cotidiana.
Se mantinha fechado como quem não quer dividir ou lembrar do que passou. Ela com coração de quem ama, escorrega, cai e levanta novamente, insitia em lembrá-lo do que já tinham sido um para o outro e de como agora era ela, anos depois, uma mulher e não a menina de antes.
Mais uma vez olhos naqueles olhos como quem procurava algo de antigo, de permanecente, de eterno, mas logo ele desviava o olhar, se encolhia como minhoca no casulo, como a planta dormideira que não pode ser tocada.
Mesmo assim, ela mantinha vivo, mesmo sem saber aquele carinho e ternura de primeiro amor.
E sem perceber, à noite, sonhava com ele.
Não o olhava mais como antigo amor, de vidas vividas e passadas. Olhava com estranheza àquela pessoa que, tão perto havia chegado um dia. Hoje era tudo bem mais longe. Nada mais que assuntos corriqueiros sobre o cotidoano dele. Dele, pois o dela não o interessava mais.
Tentava se aprofundar, lembrar-se de que um dia tinham sido tão próximos e tão queridos e isso é coisa que não se deixa de lembrar. Seriam sempre para um e para outro os primeiro passos de laços maiores. O primeiro namorado, a primeira namorada. Isso ninguém lhes tirava. Se alguém lhe perguntasse um dia ou falasse desse assunto em qualquer roda, era dele que se lembraria. E a ele poderia dizer o mesmo.
Não havia restado mais nada a não ser o carinho que, ela, insistia em manter, e aquela caixa de clips em formato de lápis. Acabava sempre esquecendo de mencionar o grande urso panda que ocupava metade de sua cama e que ganhara naquele único aniversário que viveram. Ele, o urso, tornou-se companheiro inseparável de todas as noites. E assim como a caixa de clips foi ficando, ficando e ficando a mostra, pois o resto; as fotos e presentes e cartões estavam guardados há anos dentro de uma caixa.
Não sentia falta dele ou do amor perdido e estabelecido no passado. Aquilo já vivia resolvido e passado há tantos anos, amores, laços e desfios depois. O que não a deixava a mente quieta era ver que com ele, logo com ele, o primeiro, aquele com quem aprendeu a viver junto, a ceder, a brigar e a fazer as pazes; logo com ele não conseguia passar do vai-e-vem da vida cotidiana.
Se mantinha fechado como quem não quer dividir ou lembrar do que passou. Ela com coração de quem ama, escorrega, cai e levanta novamente, insitia em lembrá-lo do que já tinham sido um para o outro e de como agora era ela, anos depois, uma mulher e não a menina de antes.
Mais uma vez olhos naqueles olhos como quem procurava algo de antigo, de permanecente, de eterno, mas logo ele desviava o olhar, se encolhia como minhoca no casulo, como a planta dormideira que não pode ser tocada.
Mesmo assim, ela mantinha vivo, mesmo sem saber aquele carinho e ternura de primeiro amor.
E sem perceber, à noite, sonhava com ele.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Aprumos
Arrumava s gavetas, os armários, a mesa. Ia colocando tudo em seu lugar, jogando fora o que não tinha mais uso, guardando aquilo que, mesmo que não se use mais, ainda lhe pertence.
Mudava alguns objetos de lugar, na esperança que ficassem ali, melhor acomodados. Difícil era jogar fora aquilo que morre, apodrece, papel mofado, discos arranhados. Aquela foto já quase apagada, o lápis já sem tamanho pra ponta, a tesoura enferrujada. Olhava o bilhete amassado, velho, quase rasgado. Sabia que tinha que jogá-lo no lixo, não lhe tinha mais serventia. Acumularia poeira, formiga, fungos. Olhava e olhava novamente na esperança de que um raio de clareza lhe fizesse deixar nas gavetas só o que precisava. Então fitava a flor guardada dentro livro. Seca, sem vida, sem cor. Talvez não conseguisse jogá-la fora na esperança de que voltasse a ter vida, de que se a plantasse novamente no vaso pudesse voltar ao rosa vibrante que tinha antes. Perseguia -a na esperança de que somente o seu olhar restaurasse aquele pequeno pedaço de planta e o transformasse de volta naquilo que foi um dia, ou naquilo que ela gostaria que fosse.
Não era possível. Não tinha tamanho poder e sabia que mesmo que quisesse não seria capaz de transformar de volta folha em flor, cinzas em papel, cores em fotos, preto e branco em cor.
Era preciso jogar mesmo tudo naquela sacola branca para enfim ser levado pra um lugar distante onde enfim ia ser decompor ou dado a outros que precisariam mais.
Papel sem uso vira rascunho, as fotos são rearrumadas na cortiça, sonhos são postos dela lado, outros são reavivados. Sabia que era preciso continuar arrumando para continuar vivendo, sabia que era necessário substituir fotos, papéis, anéis, lápis que se acabavam.
Cansou de arrumar e resolveu deixar tudo como estava, não como antes, mas como já tinha conseguido arrumar até agora. Não era a arrumação ideal, mas era havia feito o que lhe era possível e já era bastante.
Talvez a flor seca ainda fosse continuar dentro do livro. Mas havia conseguido substituir as fotos, os papéis e jogar outros tantos fora. E isso já lhe abria espaço. Espaço pra um novo tempo e para outra arrumação que tivesse que vir.
Mudava alguns objetos de lugar, na esperança que ficassem ali, melhor acomodados. Difícil era jogar fora aquilo que morre, apodrece, papel mofado, discos arranhados. Aquela foto já quase apagada, o lápis já sem tamanho pra ponta, a tesoura enferrujada. Olhava o bilhete amassado, velho, quase rasgado. Sabia que tinha que jogá-lo no lixo, não lhe tinha mais serventia. Acumularia poeira, formiga, fungos. Olhava e olhava novamente na esperança de que um raio de clareza lhe fizesse deixar nas gavetas só o que precisava. Então fitava a flor guardada dentro livro. Seca, sem vida, sem cor. Talvez não conseguisse jogá-la fora na esperança de que voltasse a ter vida, de que se a plantasse novamente no vaso pudesse voltar ao rosa vibrante que tinha antes. Perseguia -a na esperança de que somente o seu olhar restaurasse aquele pequeno pedaço de planta e o transformasse de volta naquilo que foi um dia, ou naquilo que ela gostaria que fosse.
Não era possível. Não tinha tamanho poder e sabia que mesmo que quisesse não seria capaz de transformar de volta folha em flor, cinzas em papel, cores em fotos, preto e branco em cor.
Era preciso jogar mesmo tudo naquela sacola branca para enfim ser levado pra um lugar distante onde enfim ia ser decompor ou dado a outros que precisariam mais.
Papel sem uso vira rascunho, as fotos são rearrumadas na cortiça, sonhos são postos dela lado, outros são reavivados. Sabia que era preciso continuar arrumando para continuar vivendo, sabia que era necessário substituir fotos, papéis, anéis, lápis que se acabavam.
Cansou de arrumar e resolveu deixar tudo como estava, não como antes, mas como já tinha conseguido arrumar até agora. Não era a arrumação ideal, mas era havia feito o que lhe era possível e já era bastante.
Talvez a flor seca ainda fosse continuar dentro do livro. Mas havia conseguido substituir as fotos, os papéis e jogar outros tantos fora. E isso já lhe abria espaço. Espaço pra um novo tempo e para outra arrumação que tivesse que vir.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Mente calada
Precisava não parar, não pensar, não deixar de viver. O cansaço que lhe tomava o corpo lhe tirava o ar, mas mesmo assim, insistia em manter viva aquela energia pulsante que a mantinha longe de qualquer pensamento. Mesmo assim o corpo continuava insistindo em parar, em pensar, em não dizer ou falar nada, em simplesmente estar. Corpo e mente entravam então numa disputa intensa que dava ao primeiro grande vantagem.
Mesmo não querendo parar, foi delicadamente levada a deixar-se ficar, foi deixando-se tomar conta por aquela onda leve e intensa, parada e calada. Aquilo que pulsava dentro de si continuava querendo falar, tomar palavra, mas já não encontrava mais espaço, tinha sido engolida.
E assim ficou sentada no tempo, contemplando como um filme tudo que se passava na mente. Contemplando todo o sentimento, pensamento, palavra, sem pegar nada para si. Não era uma escolha, era levada a como um barco sem âncora, como folha no vento. Talvez amanhã tivesse outra vez poder sobre seu corpo, talvez amanhã a mente pudesse dizer sim e ser ouvida. Mas hoje não, hoje era só corpo. E corpo, mesmo com aquilo que não sabia o que era e que procurava entender e fugir, pedia silêncio.
Mesmo não querendo parar, foi delicadamente levada a deixar-se ficar, foi deixando-se tomar conta por aquela onda leve e intensa, parada e calada. Aquilo que pulsava dentro de si continuava querendo falar, tomar palavra, mas já não encontrava mais espaço, tinha sido engolida.
E assim ficou sentada no tempo, contemplando como um filme tudo que se passava na mente. Contemplando todo o sentimento, pensamento, palavra, sem pegar nada para si. Não era uma escolha, era levada a como um barco sem âncora, como folha no vento. Talvez amanhã tivesse outra vez poder sobre seu corpo, talvez amanhã a mente pudesse dizer sim e ser ouvida. Mas hoje não, hoje era só corpo. E corpo, mesmo com aquilo que não sabia o que era e que procurava entender e fugir, pedia silêncio.
sábado, 23 de janeiro de 2010
À deriva
À deriva o barco vai embora.
solta-se da âncora
navega por mares turvos
não sabe se volta
À deriva o barco perde o cais
se desvanece em suspiros e ais
se desmancha como espuma e pruma.
À deriva é barco sem destino
é ritmo de compasso descabido
é pé sem equilíbrio, corda sem fim
à deriva não sabe onde vai
se vai, se volta, se esvai
É polígono irregular
número ímpar
imcompleto
disperso
É não ter chão
É prender o ar
torcendo pra enfim suspirar
À deriva sem número par.
solta-se da âncora
navega por mares turvos
não sabe se volta
À deriva o barco perde o cais
se desvanece em suspiros e ais
se desmancha como espuma e pruma.
À deriva é barco sem destino
é ritmo de compasso descabido
é pé sem equilíbrio, corda sem fim
à deriva não sabe onde vai
se vai, se volta, se esvai
É polígono irregular
número ímpar
imcompleto
disperso
É não ter chão
É prender o ar
torcendo pra enfim suspirar
À deriva sem número par.
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