Impressionante ver que, enquanto algumas pessoas lutam para aprender a viver sozinhas, gostar de sua própria compania, entender que tem que ser inteiras para se dividir com o outro(e se fazerem inteiras); outras perdem isso com uma facilidade que amedronta.
Vejo ao meu redor lindas moças que parecem não gostar mais de sair sozinhas, não dormem mais sem a presença de seus namorados, não fazem mais programas por elas, para elas, com as amigas.
Deixam de ser elas, mulheres, e passam a ser acompanhantes de seus companheiros (ou companheiras). "Ele não quer", "ele não gosta", "ele prefere assim". Uma certa irritação toma conta de mim quando escuto essas expressões. Não sei se é por ter lutado muito (e ainda estar lutando) para viver só, gostar da minha compania e não depender de nada e de ninguém. Não sei se é porque sinto que, ouvindo essas frases, me ligar a alguém fosse perder toda essa luta (que foi e ainda é intensa).
De qualquer maneira acho que deve (e tem que) existir um lugar do meio, um caminho central. Ter companheiros não significa ter um privilégio na vida, é só mais uma maneira de estar no mundo. Uns estão sós (e são de todo mundo) e outros escolhem uma compania só para viver.
Ter uma pessoa ao lado não é ter uma prioridade na vida, todos temos prioridades e devemos colocá-las numa ordem sensata, para que não nos percamos em meio a vida ou ao chão que se abre quando uma delas cai por terra.
Antes de se partir, é preciso estar inteiro. Para dar um pouco de si, é preciso ter muito. Se temos pouco e dermos uma parte, não nos sobrará para usufruirmos. Ficamos assim pequenos, frágeis, vulneráveis.
É preciso viver o amor com parcimônia, bondade e serenidade para que não nos percamos de nós mesmos, para que não façamos do outro a prioridade; para que o chão não se abra.
É preciso ter amor antes de viver o amor. Não há de se dividir, há de se partilhar. Cada um inteiro em si, partilhando com o inteiro do outro. E não duas metades se fundindo.
Talvez ainda tenha muito o que aprender sobre a vida a dois. Mas antes é preciso aprender a vida em um. Inteiro.
espaço do equilibrista para pensar, refletir e atravessar a corda, que nunca termina, sempre se transforma.
domingo, 28 de setembro de 2008
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Marolas...
Na linha tênue, no meio da corda, respirando fundo pra não cair para um lado; pedindo imensamente para cair para o outro.
Como se tivesse parado no meio, empacada, estanque. Nem feliz nem triste, meio. Nem euforia de viver, nem pesar de sofrer. Respiro e continuo onde estou. Sem pensar, sem questionar, simplesmente tentando viver um dia após o outro, empurrando com a barriga aquilo que não me deixa subir.
Me rotulo, não me deixando sair do lugar onde estou. Não vejo motivo pra euforia, nem fator de grande alegria. Estou, mais uma vez, no mesmo lugar.
Nada me comove muito. Talvez o que mais me comova seja a possibilidade da grande euforia, do estado de alegria. Choro por sentir aquela energia que pulsa, que da votade de viver. É só sentir um pedacinho daquele estado pra chorar como uma criança,que sente o gosto do doce na boca, mas sabe que não pode comê-lo.
Por que não posso comer o doce?
Por que o estado não vem pra ficar, de uma vez e se instaura dentro de mim?
Ainda não gosto do morno. E acabo vivendo no morno, no mais ou menos, no existir.
Não vivo, existo. E existindo vou esperando o dia em que vou viver de verdade,enquanto rememoro aqueles em que já vivi.
A mim não é permitido tanto. Como se vivesse dormindo, na esperança de um dia acordar. Vou navegando com a maré, que é de marolas, não de ondas grandes. Que não balança muito, balança, balança...
Não sinto nada ou vou apagando aquilo que vem emergindo, com medo da marola se transformar em onda grande e me engolir, me levando junto com ela. Já cansei de lutar contra as ondas grandes, elas se cansaram de tentar me engolir. Ou deram uma trégua, uma pausa.
O mar deu descanso. Mas quem disse que é descanso que quero?
Quero vida, energia, vontade de viver!
Gosto bom de cada dia, energia que move, vontade que nos leva pra frente, que nos tira o sono, que nos dá um sentido.
Cade o sentido, cade a vontade, cade a vida?
O que vier é bom, o que não vier é conformado. Sem expectativas, sem ansiedades.
Tempo demais, vida de menos.
Sono. Sono. Sono.
Como se tivesse parado no meio, empacada, estanque. Nem feliz nem triste, meio. Nem euforia de viver, nem pesar de sofrer. Respiro e continuo onde estou. Sem pensar, sem questionar, simplesmente tentando viver um dia após o outro, empurrando com a barriga aquilo que não me deixa subir.
Me rotulo, não me deixando sair do lugar onde estou. Não vejo motivo pra euforia, nem fator de grande alegria. Estou, mais uma vez, no mesmo lugar.
Nada me comove muito. Talvez o que mais me comova seja a possibilidade da grande euforia, do estado de alegria. Choro por sentir aquela energia que pulsa, que da votade de viver. É só sentir um pedacinho daquele estado pra chorar como uma criança,que sente o gosto do doce na boca, mas sabe que não pode comê-lo.
Por que não posso comer o doce?
Por que o estado não vem pra ficar, de uma vez e se instaura dentro de mim?
Ainda não gosto do morno. E acabo vivendo no morno, no mais ou menos, no existir.
Não vivo, existo. E existindo vou esperando o dia em que vou viver de verdade,enquanto rememoro aqueles em que já vivi.
A mim não é permitido tanto. Como se vivesse dormindo, na esperança de um dia acordar. Vou navegando com a maré, que é de marolas, não de ondas grandes. Que não balança muito, balança, balança...
Não sinto nada ou vou apagando aquilo que vem emergindo, com medo da marola se transformar em onda grande e me engolir, me levando junto com ela. Já cansei de lutar contra as ondas grandes, elas se cansaram de tentar me engolir. Ou deram uma trégua, uma pausa.
O mar deu descanso. Mas quem disse que é descanso que quero?
Quero vida, energia, vontade de viver!
Gosto bom de cada dia, energia que move, vontade que nos leva pra frente, que nos tira o sono, que nos dá um sentido.
Cade o sentido, cade a vontade, cade a vida?
O que vier é bom, o que não vier é conformado. Sem expectativas, sem ansiedades.
Tempo demais, vida de menos.
Sono. Sono. Sono.
domingo, 21 de setembro de 2008
Saco sem fundo
Sabe quando a gente tem vontade de engolir o mundo? Dá vontade de fazer tudo, entender tudo, escrever e ler tudo. Tenho vontade de ler o que me aparece pela frente, de fazer coisas diferentes, pintar, estudar matemática, escrever um livro, um artigo, uma reportagem.
Aquela sensação de que o mundo é muito pequeno e o tempo é muito pouco pra tanta coisa que há. Como se tivesse descoberto agora as mil possibilidades que tem uma vida, os mil caminhos e as diversas formas de se chegar lá. Por que me contentar com pouco, se posso ter mais?
A profissão do jornalista me encanta por causa disso. Fazem diversas reportagens sobre os assuntos mais variados, e acabam sabedo um pouco de tudo! Por que se especializar se pode-se saber tanto? Por que me aprofundar só na educação, se posso entender a política, a economia, a sociologia, a história? Não me basta entender o aluno, quero entender o mundo ao seu redor.
As vezes me perco nessa vontade saber de tudo. É como se sabendo mais pudesse controlar mais as coisas, prever melhor o futuro, entender o de fora talvez facilite o entender de dentro.
Ainda não consigo entender pra onde vai o meu barco e se ele está indo na direção certa. Por enquanto vou navegando, mas com tanta sede que sou capaz de beber a água do mar.
Nunca consigo ficar satisfeita com o que está, com o que é. Sempre quero mais. Agora que, pela primeira vez, leio com prazer e, com muito prazer, descobri nos livros (não didáticos), uma fonte de conhecimento, quesitonamento, entendimento.
Parece que há um saco sem fundo dentro de mim. Quanto mais sei, mais quero saber e acabo gerando um ciclo vicioso de inquietações. Inquietações boas que me movem, não necessariamente na direção do trabalho, mas na direção do mundo.
Não me contento com pouco. Quero mais. Vou em busca.
Aquela sensação de que o mundo é muito pequeno e o tempo é muito pouco pra tanta coisa que há. Como se tivesse descoberto agora as mil possibilidades que tem uma vida, os mil caminhos e as diversas formas de se chegar lá. Por que me contentar com pouco, se posso ter mais?
A profissão do jornalista me encanta por causa disso. Fazem diversas reportagens sobre os assuntos mais variados, e acabam sabedo um pouco de tudo! Por que se especializar se pode-se saber tanto? Por que me aprofundar só na educação, se posso entender a política, a economia, a sociologia, a história? Não me basta entender o aluno, quero entender o mundo ao seu redor.
As vezes me perco nessa vontade saber de tudo. É como se sabendo mais pudesse controlar mais as coisas, prever melhor o futuro, entender o de fora talvez facilite o entender de dentro.
Ainda não consigo entender pra onde vai o meu barco e se ele está indo na direção certa. Por enquanto vou navegando, mas com tanta sede que sou capaz de beber a água do mar.
Nunca consigo ficar satisfeita com o que está, com o que é. Sempre quero mais. Agora que, pela primeira vez, leio com prazer e, com muito prazer, descobri nos livros (não didáticos), uma fonte de conhecimento, quesitonamento, entendimento.
Parece que há um saco sem fundo dentro de mim. Quanto mais sei, mais quero saber e acabo gerando um ciclo vicioso de inquietações. Inquietações boas que me movem, não necessariamente na direção do trabalho, mas na direção do mundo.
Não me contento com pouco. Quero mais. Vou em busca.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Despedida literária
Acabo de terminar de ler "Cidade Partida" de Zuenir Ventura. Durante essas estivem imersa no universo de Vigário Geral, da violência urbana do Rio de Janeiro e dos movimentos sociais da década de 90.
Conheci melhor Rubens Cesar, com quem já havia tido contado na adolescência, sem ter a dimensão de sua atividade social. Entrei no mundo de Betinho, Caio Fábio, Caio Ferraz. Flávio Negão, Djalma. Entendi melhor os conflitos que vivemos na nossa cidade, hoje, mas gerei muito mais perguntas. Se a situação já estava desse jeito em 1994, como é que deve estar hoje?
O que a sociedade civil anda fazendo pela nossa cidade? O que leva alguns a seguirem caminhos tão diferentes dos outros . Uns vão pro crime, outros , filhos até dos mesmos mais, viram sociólogos, antropólogos e lutam contra a violência.
Me interessei por esse livro depois de ver o filme de Breno Silveira, "Era uma vez". Por alguns momentos achei que fosse emoção passageira com o filme (não tão interessante assim), mas depois percebi o quanto me cativei por aquele universo que, embora não seja meu, está presente, aqui, na minha porta. Pensando melhor, é sim o meu universo. Deveria ser, pois somos todos moradores de uma mesma cidade, uma cidade partida. Foi como abrir os olhos, abir a mente, enxergar a realidade.
Terminar de ler um livro é como se despedir de um lugar onde se viveu, se relacionou, se entranhou. Assim como Zuenir deve ter sentido sair de Vigário Geral depois de 10 meses praticamente morando lá, eu sinto sair desse universo que me trouxe tantas coisas. Tantos entendimentos, tantas dúvidas, tantas inquietações, tantas tristezas e tantas tragédias.
Gostaria de saber que fim levou Flávio Negão, o chefe do tráfico de Vigário Geral na época. Gostaria de saber como anda a Casa da Paz, a Fábrica da Esperança, os movimentos do Viva RIo.
O que é mais tocante é que não é mais um livro de ficção, onde tudo acaba ali, no passar a última página e fechar o livro. O encantador ou perturbador é que a história de Vigário Geral, da violência no Rio de Janeiro não acaba. Queria mais, queria saber mais.
Fica a despedida. E rumo ao próximo!
Conheci melhor Rubens Cesar, com quem já havia tido contado na adolescência, sem ter a dimensão de sua atividade social. Entrei no mundo de Betinho, Caio Fábio, Caio Ferraz. Flávio Negão, Djalma. Entendi melhor os conflitos que vivemos na nossa cidade, hoje, mas gerei muito mais perguntas. Se a situação já estava desse jeito em 1994, como é que deve estar hoje?
O que a sociedade civil anda fazendo pela nossa cidade? O que leva alguns a seguirem caminhos tão diferentes dos outros . Uns vão pro crime, outros , filhos até dos mesmos mais, viram sociólogos, antropólogos e lutam contra a violência.
Me interessei por esse livro depois de ver o filme de Breno Silveira, "Era uma vez". Por alguns momentos achei que fosse emoção passageira com o filme (não tão interessante assim), mas depois percebi o quanto me cativei por aquele universo que, embora não seja meu, está presente, aqui, na minha porta. Pensando melhor, é sim o meu universo. Deveria ser, pois somos todos moradores de uma mesma cidade, uma cidade partida. Foi como abrir os olhos, abir a mente, enxergar a realidade.
Terminar de ler um livro é como se despedir de um lugar onde se viveu, se relacionou, se entranhou. Assim como Zuenir deve ter sentido sair de Vigário Geral depois de 10 meses praticamente morando lá, eu sinto sair desse universo que me trouxe tantas coisas. Tantos entendimentos, tantas dúvidas, tantas inquietações, tantas tristezas e tantas tragédias.
Gostaria de saber que fim levou Flávio Negão, o chefe do tráfico de Vigário Geral na época. Gostaria de saber como anda a Casa da Paz, a Fábrica da Esperança, os movimentos do Viva RIo.
O que é mais tocante é que não é mais um livro de ficção, onde tudo acaba ali, no passar a última página e fechar o livro. O encantador ou perturbador é que a história de Vigário Geral, da violência no Rio de Janeiro não acaba. Queria mais, queria saber mais.
Fica a despedida. E rumo ao próximo!
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Te procuro nas ruas, esquinas, nos pontos de ônibus. Não te encontro. Te procuro em outros, não me contento. E continuo assim, a te procurar a cada dia, a cada passo, a cada rua que passa.
Só me restam os momentos. Os bons, o ruin fiz questão de perder, de deixar partir. Passo pela janela, não te vejo. Só lembro. Nunca mais vi, mas continuei te procurando. Nas esquinas, nos pontos, nas músicas...
E só a sensação de que quero deixar aqueles momentos intocáveis, aquelas horas ali, aqueles dias parados. Dias que não voltam e que se voltassem não seriam como aqueles. E continuo achando que, por mais que procure, nunca mais vou te encontrar.
Só me restam os momentos. Os bons, o ruin fiz questão de perder, de deixar partir. Passo pela janela, não te vejo. Só lembro. Nunca mais vi, mas continuei te procurando. Nas esquinas, nos pontos, nas músicas...
E só a sensação de que quero deixar aqueles momentos intocáveis, aquelas horas ali, aqueles dias parados. Dias que não voltam e que se voltassem não seriam como aqueles. E continuo achando que, por mais que procure, nunca mais vou te encontrar.
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