sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Anseio

Tens o que me falta
Anseias o que em mim retarda
Marchas quando me quedo em falta
Leves liberta-te em pluma

Enquanto voo baixo como chão
És livre e alto
Supondo o não
Destemendo o vão

És fogo aberto
joia simples e rara
Mão seca e espalmada

Liberta, voas num salto
Eu, toda em mim
Me fecho, me escapo
Me quedo
És alma.

domingo, 4 de agosto de 2013

Amo, Amo, Amo
Amo com toda alma
Amo com todo corpo
Amo com todo o espectro
Amo que não cabe dentro

Amo, Amo, Amo, Amo, Amo

Palavra que não cabe dentro
Limite que não se retém adentro
Amo sem fim
Amo, Amo, Amo, Amo.


Se no espaço só coubesse um traço
Se no passo só sobrasse um abraço
Se no semblante só tivesse o percalço.

Mesmo assim
Mesmo no fim
Mesmo te amaria.

Te amaria no meio da praça
Jogada na noite
Sofrendo de escapada.

Te amaria de braços abertos
De lenços cobertos
De lençóis entreabertos.

Te amaria de um jeito ou de outro
Caminho esse meio torto
Indo contra a corrente do vento.

Te amaria no espaço da noite
Na contra mão do mundo
No vestido verde que se fecha.

Te amaria no mundo impossível
Naquilo que não é cabível
No espaço que sobra vazio.

sábado, 29 de dezembro de 2012

De almas coladas.

Ando até ti
Passos calmos
Longa espera

Estás diante de mim
Longos passos
Tenra espera

Aproxima-se como flor que brota no deserto
Abre-tes como mão que se estende a quem tem frio.
E acato.
E  procedes.

Mãos calmas e quentes
Corpo frio e dormente
Te recebo feito cama
Vens a mim de corpo em chamas.

E assim, como dois corpos juntos, almas ligadas entre si.
Dizemos adeus cada um segue seu fim.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sim

Não sei se cabes
Não sei se saber
Não gosto de acabes
Não sei por onde entrares

Desaperto os cintos
Desabotoo os botões
Pra que enfim sejas simples
Pra que enfim sejas um sim.

De certo não soube
Pra onde enfim fores
De onde viestes
Que o caminho soubestes.

Pedes espaço
Te clamo um abraço
Do fato que não tem fim
Do abraço te digo um sim.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Poema do amor da tarde

O amor desperta o melhor de mim
As cores mais brilhantes
Os risos mais largos
Os passos mais ousados

O amor me desmancha os desprazeres
Me faz sorrir ao meio dia
Me embala ao longo do tempo. 

O amor me espalha pelo mundo
Me resgata lá do fundo
Faz pontinhos coloridos.

Sabe-se lá amor de quem
Amor que é de ninguém.
Não importa
É o amor que me convém. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Corpo quente

Corpo quente
Terreno fértil
Vago como quem busca
Corpo que se atém a sede.

Corpo que o dia amanhece
Terreno de sede padece
Clamo de te desejar
Aguardo sem tanto esperar.

Tenho sede
Sede seca
Seca e quente
Corpo corrente.