quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Vale mais que todas as palavras.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Montagem

Aos poucos tudo se volta,
Se encaixa
Se guarda novamente
Se guarda o antigo nas gavetas
Procura-se um lugar para o novo
O desconhecido
O que não havia antes

Há de haver uma gaveta pra guardar
Um espaço pra deixar
Um tempo que espere pra se encaixar

Há de haver recomeço
Reconquista
Retorno

Há que se remontar
Reorganizar
Juntar os cacos pra guardar

Com um quadro
Sem ordem e sem razão
Sem compreensão imediata
Sem ordem direta

Há que se ficar de pé
Remar contra a maré
Se manter fime, mesmo quando não da pé

Procura a gaveta
O espaço
O chão
A linha reta de ontem

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A volta

Precisa da calma de da cama
Do afago e do tato
Do diário e do afeto
Da tranquiliade de um gato

Precisa do rito
Do grito calado
Do respirar não falado
Do mar sossegado

Precisa do chão
Espaço sem vão
Precisa da terra
Lugar de quem erra
Mas volta pro seu lugar

Precisa do que segue
Do que fica
Do que está, estático
Lá parado no meio
Levante, pisante, calçado

Precisa do pão
Do lápis
Do giz e da criança
Relógio que passa
Tempo que permanece

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Carna Noel em Madrid e outras cositas más.

Madrid está em festa pelo Natal. Com ritos que vão além de uma simples árvore montada no meio da praça, a cidade parece o centro comercial do Saara em época de pré carnaval. Muitas fantasias, chapéus, máscaras e acessórios sendo vendidos, assim como pessoas fantasiadas pelas ruas e até personagens da Disney distribuindo balões para alegrar a criançada. Famílias inteiras saem pelas ruas levando suas crianças na costas e fazendo do Natal uma celebração urbana. O que causa uma pequena estranheza é o fato de se ter, em pleno dia 26 uma feira que ainda vende artigos de Natal como enfeites e peças para se montar presépios. Parece que o Natal aqui dura mais do que a ceia do dia 24 para 25.
Outro ponto para ser comentado (e infelizmente lamentado) aqui é o estado em que se encontram as estações de Metro, aqui pronunciado sem o acento circunflexo no o. As estações são sujas, escuras e algumas tem até mendigos dormindo. Outras estão em obras e com infiltrações. Lamentável.
Até agora a cidade dá a impressão de um grande centro urbano permeado por atrações culturais. A grande e boa surpresa é a exposição "Jardins Impressionistas" no museu Thyssen - Bornemisza. Obras de Manet, Monet, Renoir, Dali e outros, retratando jardins foram a grande atração do dia de ontem. Quadros de emocionar aqueles que, como eu, são fãs do impressionismo e de encantar qualquer um.
Nada como uma taça de vinho da casa (bem forte e encorpada) para terminar o dia.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Barcos e ilhas

No primeiro dia, primeira hora, são caras estranhas, universos distantes, histórias desconhecidas. Relação desigual. Eles continentes de distância pra você. Você pra eles a âncora que os segura na terra, a bússola que, mesmo desconhecida vai os guiar pela imensidão das novas experiências. Estranhamentos tem que ser logo desfeitos, laços que tem de ser apertados instantaneamente, afinal, como a âncora vai se segurar no barco se nó, sem laço?
O esforço pra ligação ser feita parte de um lado. O outro se encontra parcialmente largado e dado em suas mãos, como quem precisa de salvação, ao mesmo tempo receoso de quem escolhe ser salvo por aquele que não conhece, nada sabe.
Aos poucos amarram- se os sapatos, cuida-se das bonecas e um dia, ao invés de "professora", ouve-se "Mãe". O som da palavra tornou-se natural pros que tem anos de profissão. Para aqueles que ovem esse vocativo pela primeira vez soa estranho mas terno, esquisito mas prova. Prova da ligação feita, do laço apertado, dos corações compartilhados. Soa música, abraço, algodão doce, sal de lágrima.
Cuida-se dos machucados de corpo e de alma, entra-se em cada universo ao mesmo tempo que em todos de uma vez só. Cada universo imenso, com plantas, flores, espinhos, cores e combinações diferentes.
Vira-se o porto seguro,mãe, curandeira, ensinante, ponto imbatível e inquebrantável. Não sente dor, não chora, não cai, nunca. Sabe as respostas para as questões não respondidas do universo, é juíz das causas mais difíceis, a melhor desenhista, a mais bonita, não tem pai, mãe ou filho, é ponto fixo.
É amor incondicional, retorno imediato, mas é laço desfeito em 1 ano. Tem carinho eterno, mas prazo de validade a vencer. Outro ano e outro porto seguro. A ilha fica, mas os barcos vão buscar outro, outro porto.
E solidão, "solidão é ilha com saudade de barco..."

sábado, 31 de julho de 2010

Desabafo em forma de pergunta.

Queria saber como faz pra não esperar, pra curtir a vida do jeito que está. Pra ser como as pessoas que, de repente um dia, sem pensar, encontraram!
Queria saber como faz pra ser feliz assim, mesmo sem se ter o que mais se quer.
Como faz? Como faz pra botar a receita que todos sabem de cor (inclusive eu) na prática?
Como faz pra mudar a chavinha?
Como faz pra incorporar, deixar pra trás, não pensar e ser feliz?
Como faz pra chegar no "quando menos se espera"? Tem receita pra isso? Tem receita pra esquecer que o tempo passa? Pra não ligar pro que não acontece? Pra entender mesmo que é dá pra ser feliz como que se tem sem se preocupar com o resto?
Se alguém sabe como faz pra fazer tudo isso, me diz, me conta, me dá a receita. Pra sair por aí livre, leve e solta e feliz "menos esperando" pra aí sim o que mais se espera bater a sua porta. Como faz? Dá pra tomar em pílulas? Dá pra pegar por osmose? Dá pra se ler num livro e se escrever num artigo?
Acho preciso mesmo de educação sentimental. Dá entrar no maternal? Será que ainda dá tempo de aprender? Quanto anos, quantas séries, quantas aulas tem que ter? Serei a aluna mais aplicada, farei todos os trabalhos, não faltarei a uma só aula. Mas contanto que o diploma não demore muito, não me mata o esforço, me angustio é com o tempo.
Queria mesmo saber como fazem os escritores de auto-ajuda, as mulheres bem resolvidas, os homens sem compromisso...
Queria mesmo saber...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Poema confuso

Não quer precisar de lá nem cá
Não quer ir com alguém ou ninguém
Quer ir só e inteira
Grande, em pé, certeira

Não vai se vestir de rosa
Não quer brincar com o azul
Quer o verde, o branco e o lilás

Mas ainda acha que sem rosa
Ainda acha que sem azul ou preto
Não fica bem só de verde e lilás

Ainda acha que precisa das cores vãs
Ainda quer, mesmo que por obrigação
Sentir contemplação por aquilo que já se foi

Não, não quer
Briga, bate o pé
Quer firmar o pé na base só
Mas o pé firma que tem que ter outro pé
Porque pé sozinho não finca no chão

Cisma que tem de ser dois
Porque ímpar não é sonho bom
Ímpar é falta
Cisma em ser par
Mesmo querendo ser impar/par

Cisma que a vida é a dois
Que a vida sem dois é vida só
Que vida só cai da corda
Que a corda é só pra um

E continua cambaleando
Entre o só e o dois
Entre o ímpar e o par