Precisava não parar, não pensar, não deixar de viver. O cansaço que lhe tomava o corpo lhe tirava o ar, mas mesmo assim, insistia em manter viva aquela energia pulsante que a mantinha longe de qualquer pensamento. Mesmo assim o corpo continuava insistindo em parar, em pensar, em não dizer ou falar nada, em simplesmente estar. Corpo e mente entravam então numa disputa intensa que dava ao primeiro grande vantagem.
Mesmo não querendo parar, foi delicadamente levada a deixar-se ficar, foi deixando-se tomar conta por aquela onda leve e intensa, parada e calada. Aquilo que pulsava dentro de si continuava querendo falar, tomar palavra, mas já não encontrava mais espaço, tinha sido engolida.
E assim ficou sentada no tempo, contemplando como um filme tudo que se passava na mente. Contemplando todo o sentimento, pensamento, palavra, sem pegar nada para si. Não era uma escolha, era levada a como um barco sem âncora, como folha no vento. Talvez amanhã tivesse outra vez poder sobre seu corpo, talvez amanhã a mente pudesse dizer sim e ser ouvida. Mas hoje não, hoje era só corpo. E corpo, mesmo com aquilo que não sabia o que era e que procurava entender e fugir, pedia silêncio.
espaço do equilibrista para pensar, refletir e atravessar a corda, que nunca termina, sempre se transforma.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
sábado, 23 de janeiro de 2010
À deriva
À deriva o barco vai embora.
solta-se da âncora
navega por mares turvos
não sabe se volta
À deriva o barco perde o cais
se desvanece em suspiros e ais
se desmancha como espuma e pruma.
À deriva é barco sem destino
é ritmo de compasso descabido
é pé sem equilíbrio, corda sem fim
à deriva não sabe onde vai
se vai, se volta, se esvai
É polígono irregular
número ímpar
imcompleto
disperso
É não ter chão
É prender o ar
torcendo pra enfim suspirar
À deriva sem número par.
solta-se da âncora
navega por mares turvos
não sabe se volta
À deriva o barco perde o cais
se desvanece em suspiros e ais
se desmancha como espuma e pruma.
À deriva é barco sem destino
é ritmo de compasso descabido
é pé sem equilíbrio, corda sem fim
à deriva não sabe onde vai
se vai, se volta, se esvai
É polígono irregular
número ímpar
imcompleto
disperso
É não ter chão
É prender o ar
torcendo pra enfim suspirar
À deriva sem número par.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Pausa
Pausa.
Tempo
Silêncio
Compasso vazio
Shhhh
Suspiro
Ar, falta
Compasso partido
Repartido
Compasso de dois
samba
De tres
valsa
De um
Compasso que não existe
Pausa
Pausa
Pausa
Não deixa o tempo cair
Não deixe o moço sair
Não deixe para
Não deixe sumir
Pausa no tempo
Silêncio no compasso
Pra moça respirar
Pro tempo parar
Parar de tentar.
Tempo
Silêncio
Compasso vazio
Shhhh
Suspiro
Ar, falta
Compasso partido
Repartido
Compasso de dois
samba
De tres
valsa
De um
Compasso que não existe
Pausa
Pausa
Pausa
Não deixa o tempo cair
Não deixe o moço sair
Não deixe para
Não deixe sumir
Pausa no tempo
Silêncio no compasso
Pra moça respirar
Pro tempo parar
Parar de tentar.
Pausa
Era hora de parar e descansar. Sentia uma tristeza leve e ao mesmo tempo profunda. Latente daquelas que não se deixa ir embora, daquelas que nos quer lembrar o tempo todo que não estamos sós. Estamos com ela.
Respirava aliviada um suspiro que há tempos não era capaz de dar. Caminhava com leveza e clareza pela praia, enxergava agora o que antes não podia. A água agora era clara, cristalina, pura. Tinha consciência de tudo e era só.
Era um cansaço constante como quem precisa dormir dias depois de noites sem dormir. Antes dormia porém agora o corpo e a mente descansavam. Descansavam de si mesma, da tormenta que ela mesma criara.
Não sabe dizer até agora como chegou aonde está. Como se livrou da tormenta, das noites mal dormidas, quem lhe trouxera o respiro e o suspiro de volta. Não sabia, tentava saber, olhar, entende; como sempre, era daquelas que não se continha em não entender, mesmo aquilo que não era para ser entendido. Talvez nem devesse mesmo entender, pensava. Mas como, ´se há dias, semanas mal era capaz de fazer o ar entrar e sair dos pulmões e agora respirava com tanta facilidade. Respirava, sentia o ar entrar e sair, suspirava como quem deixa pra fora tudo o que não quer mais. E precisava respirar e suspirar ainda mais e mais.
A mente tem dessas artimanhas. Vai nos criando e pregando peças até que nos vemos num labirinto sem fim, sem saída, sem ar. E de repente, como quem se vê num emaranhado de teias, todas se desfiam e a gente cai. Cai no colchão de ar, mas com a pancada da queda.
E é essa, pancada da queda que não a deixava respirar profundamente sem o tantinho de dor. Tantinho mesmo, mas suficiente para que tirasse dela a leveza de antes. Por mais que agora soubesse disfarçar mais, andar com mais equilíbrio, levantar com mais facilidade, ainda assim não era possível descartar aquela pontinha.
Era tarde, muito tarde, mas era necessário recuperar o que tinha perdido. Era daquelas que depositava alto, apostava todos os sonhos, todas as fichas, todas as energias. E perdendo (de qualquer forma que fosse o perder), ficava fraca, com menos vida, cansada de ter que começar tudo novamente.
Mas ia, ia como quem levanta da cama todos os dias para trabalhar. As vezes a vida se tornava um trabalho diário e mecânico, com tarefas e deveres a serem cumpridos, mesmo nas férias.
Precisava ficar mais consigo, ouvir suas vontades, suas faltas, suas tristezas. Parar, olhar, enxergar, entender ou não, e enfrentar. Entrar mesmo em contato com aquilo que ela sabia que tinha ferido, doído. Era brava, não queria admitir pra si mesma que tinha aberto novamente aquele caminho, aquela ferida, ferida sabida que tinha que ser bem cuidada.
Descuidou-se, ou deixou-se descuidar pensando numa retomada, numa reviravolta. Acreditava nas reviravoltas da vida de vez em quando.
Precisava descansar, se cuidar, mas ao mesmo tempo não queria parar. Apesar de saber que era uma pausa necessária, não queria parar, com medo do que a pausa traz.
Era preciso parar, repousar para voltar. Mas tinha medo do tempo perdido, das coisas perdidas que não voltam mais. Assim como o sol de um dia de verão.
Ainda estava na corda bamba, assim como o equilibrista que sabe que, se parar, cai.
Precisava cair. Será?
Respirava aliviada um suspiro que há tempos não era capaz de dar. Caminhava com leveza e clareza pela praia, enxergava agora o que antes não podia. A água agora era clara, cristalina, pura. Tinha consciência de tudo e era só.
Era um cansaço constante como quem precisa dormir dias depois de noites sem dormir. Antes dormia porém agora o corpo e a mente descansavam. Descansavam de si mesma, da tormenta que ela mesma criara.
Não sabe dizer até agora como chegou aonde está. Como se livrou da tormenta, das noites mal dormidas, quem lhe trouxera o respiro e o suspiro de volta. Não sabia, tentava saber, olhar, entende; como sempre, era daquelas que não se continha em não entender, mesmo aquilo que não era para ser entendido. Talvez nem devesse mesmo entender, pensava. Mas como, ´se há dias, semanas mal era capaz de fazer o ar entrar e sair dos pulmões e agora respirava com tanta facilidade. Respirava, sentia o ar entrar e sair, suspirava como quem deixa pra fora tudo o que não quer mais. E precisava respirar e suspirar ainda mais e mais.
A mente tem dessas artimanhas. Vai nos criando e pregando peças até que nos vemos num labirinto sem fim, sem saída, sem ar. E de repente, como quem se vê num emaranhado de teias, todas se desfiam e a gente cai. Cai no colchão de ar, mas com a pancada da queda.
E é essa, pancada da queda que não a deixava respirar profundamente sem o tantinho de dor. Tantinho mesmo, mas suficiente para que tirasse dela a leveza de antes. Por mais que agora soubesse disfarçar mais, andar com mais equilíbrio, levantar com mais facilidade, ainda assim não era possível descartar aquela pontinha.
Era tarde, muito tarde, mas era necessário recuperar o que tinha perdido. Era daquelas que depositava alto, apostava todos os sonhos, todas as fichas, todas as energias. E perdendo (de qualquer forma que fosse o perder), ficava fraca, com menos vida, cansada de ter que começar tudo novamente.
Mas ia, ia como quem levanta da cama todos os dias para trabalhar. As vezes a vida se tornava um trabalho diário e mecânico, com tarefas e deveres a serem cumpridos, mesmo nas férias.
Precisava ficar mais consigo, ouvir suas vontades, suas faltas, suas tristezas. Parar, olhar, enxergar, entender ou não, e enfrentar. Entrar mesmo em contato com aquilo que ela sabia que tinha ferido, doído. Era brava, não queria admitir pra si mesma que tinha aberto novamente aquele caminho, aquela ferida, ferida sabida que tinha que ser bem cuidada.
Descuidou-se, ou deixou-se descuidar pensando numa retomada, numa reviravolta. Acreditava nas reviravoltas da vida de vez em quando.
Precisava descansar, se cuidar, mas ao mesmo tempo não queria parar. Apesar de saber que era uma pausa necessária, não queria parar, com medo do que a pausa traz.
Era preciso parar, repousar para voltar. Mas tinha medo do tempo perdido, das coisas perdidas que não voltam mais. Assim como o sol de um dia de verão.
Ainda estava na corda bamba, assim como o equilibrista que sabe que, se parar, cai.
Precisava cair. Será?
domingo, 25 de outubro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
á sorte espera
Parada num canto
Espero um tanto
Longo tempo de espera
Longa espera no tempo
Sem saber se espero e sento
Se levanto e canto
A cada espera o mesmo pranto
A cada longa jornada a mesma pausa
A cada espaço a mesma lacuna
Vazio. Medo.
Linha no vazio
Imensidão dos dias
Que teimam em esperar
Que teimam em não passar
Espera que nunca chega
Nunca finita
Nunca resposta
Só queria mais uma chance
Pra abrir outra porta
Outra sorte
Outra espera
...
Espero um tanto
Longo tempo de espera
Longa espera no tempo
Sem saber se espero e sento
Se levanto e canto
A cada espera o mesmo pranto
A cada longa jornada a mesma pausa
A cada espaço a mesma lacuna
Vazio. Medo.
Linha no vazio
Imensidão dos dias
Que teimam em esperar
Que teimam em não passar
Espera que nunca chega
Nunca finita
Nunca resposta
Só queria mais uma chance
Pra abrir outra porta
Outra sorte
Outra espera
...
domingo, 18 de outubro de 2009
O rio
Tentou mergulhar naquele rio assim como quem mergulha num lago onde não se sabe o fundo, onde não se conhece os peixes, as ervas, a água. Pensava que deveria calcular, medir, pensar, não se jogar como quem boia na tranquilidade de uma piscina de água quente. Não deu. Não quis. Não conseguia. Não era da sua natureza medir tanto naqueles assuntos de rio. Era daquelas que ia pisando pé até a beira. Fitava o rio, admirava sua beleza, se inebriava com seu reflexo na água. E se sentisse a água quente e cristalina, como aquela em que sonhava tantas vezes, não hesitava em imaginar como seria bom mergulhar nele todos os dias.
Ouvia vozes vindas de todos os lados, como almas penadas que insistiam que ela não deveria mergulhar no rio, nem fitá-lo, nem imaginá-lo, nem sonhar com ele. Diziam que naturezas como a sua não podiam se valer disso.
E ela, sentindo enorme atração por aquilo que via e não via dentro do rio, ficava ali, imóvel, esperando que o próprio rio desse o primeiro passo; assim ela não teria que fazê-lo.
Parada na beira do rio ouvia o canto dos pássaros, se distraia com a borboleta que passava, sentava, olhava para o céu sonhando com o dia que pudesse ser raio de sol, que entra levemente por dentro do rio e ilumina aquilo que não se vê.
Leve como a pena dos pássaros que ouvia cantar, a menina agora não queria saber se a água era muito fria, os se havia pedras escondidas por debaixo das ervas; queria apenas sonhar. Sonhar que água era morna e sem correnteza, sonhar que sua natureza era outra, sonhar que não havia pedras nem espinhos dentro do rio, sonhar que entraria nele assim todos os dias e que eles se completariam como 0 caule e a semente, o pólem e as flores. Queria poder sonhar, mesmo que, uma vez dentro do rio pudesse ser levada por uma correnteza para um lugar distante e inóspito.
Mergulhou dentro do Rio.
Ouvia vozes vindas de todos os lados, como almas penadas que insistiam que ela não deveria mergulhar no rio, nem fitá-lo, nem imaginá-lo, nem sonhar com ele. Diziam que naturezas como a sua não podiam se valer disso.
E ela, sentindo enorme atração por aquilo que via e não via dentro do rio, ficava ali, imóvel, esperando que o próprio rio desse o primeiro passo; assim ela não teria que fazê-lo.
Parada na beira do rio ouvia o canto dos pássaros, se distraia com a borboleta que passava, sentava, olhava para o céu sonhando com o dia que pudesse ser raio de sol, que entra levemente por dentro do rio e ilumina aquilo que não se vê.
Leve como a pena dos pássaros que ouvia cantar, a menina agora não queria saber se a água era muito fria, os se havia pedras escondidas por debaixo das ervas; queria apenas sonhar. Sonhar que água era morna e sem correnteza, sonhar que sua natureza era outra, sonhar que não havia pedras nem espinhos dentro do rio, sonhar que entraria nele assim todos os dias e que eles se completariam como 0 caule e a semente, o pólem e as flores. Queria poder sonhar, mesmo que, uma vez dentro do rio pudesse ser levada por uma correnteza para um lugar distante e inóspito.
Mergulhou dentro do Rio.
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