Saiu procurando um lugar para se esconder, um lugar para se encontrar. Achava o mundo daquelas rodas gigantes, que rodavam sem parar mas que ela não conseguia alcançar. Se sentia sozinha, perdida, diferente, indiferente. Corria para alcançar os lugares dentro da roda. Perdia a corrida, cansava de lutar. Chorava sentada na cama, procurando um lugar para não ficar, um não estar perdido como esse. Queria estar, ser, mas gostava mesmo era do verbo pertencer. Nada lhe cabia tão bem quanto pertencer. Pertencer ao vagão azul do trem, à cabine número 343 da roda gigante. Mas seus pertencimentos haviam se esvaziado no tempo. A roda tinha girado demais. Perdeu tempo, perdeu espaço, perdeu o lugar. Ou então seu espaço estava ali, no topo da roda gigante. Tentava seguir no seu fluxo, no seu caminho, sem se preocupar com a velocidade que ia. Mas não conseguir. Queria aquele vagão, o 343. Queria pertencer à ele, assim como ao vagão azul do trem. Outro que lhe dessem não tinha tanta graça nem tamanha importância capaz de lhe preencher. Queria ser do azul. O verde não lhe caía bem.
Continuava a se sentir diferente, pequena diante da imensa roda, pior. Pior sim, pois não havia conseguido alcançar o vagão lá em cima. Corria devagar, suas pernas eram curtas. Sentiu raiva por não poder ser como os outros, por não achar o seu lugar no mundo. Temia que os outros rissem dela, a achassem diferente; pequena, das pernas curtas.
Tentava gritar ao mundo tamanha injustiça não conseguir alcançar o vagão de cima. Queria que o mundo se compadecesse de sua dor. Mas ele assim não o fazia, não obedecia suas ordens como tanto queria. E de que adiantaria gritar e chorar ao mundo se a ele nada cabia fazer para aumentar o tamanho de suas pernas. Talvez devesse se conformar em entrar no vagão 24, ou no 32, ou pudera passear entre tantos vagões de baixo para descobrir em qual se sente melhor. Ou conseguir ser assim, feliz e aceita em qualquer vagão que entrasse. Mas ainda assim suas pernas curtas lhe doíam.
Talvez devesse procurar, não aumentar o tamanho de suas pernas ou culpar o deus do universo por elas, tinha de saber viver no chão e não no alto.
espaço do equilibrista para pensar, refletir e atravessar a corda, que nunca termina, sempre se transforma.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
sábado, 18 de julho de 2009
Oba, ganhei!!!
Ganhei da Catarina, catapensandoalto esse memê!


As regras:
1 - Dizer quem te presenteou com o selo e colocar o link do blog;
2 - Copiar e responder a um questionário;
3 - Presentear 5 blogs com o selo e avisá-los sobre.
O questionário:
1.MANIA: dormir de ventilador ligado!
2. PECADO CAPITAL: atualmente a gula, pizza!
3. MELHOR CHEIRO DO MUNDO: dama da noite na Igarapava!
4. SE DINHEIRO NÃO FOSSE PROBLEMA EU FARIA: Moraria em Paris e sairia viajando por toda a Europa!
5. CASOS DE INFÂNCIA: chorei durante 4 anos pra entrar na escola!
6. HABILIDADES COMO DONA DE CASA: bom, ainda não sou propriamente dita uma dona de casa, mas... lavar loça é uma especialidade!
7. O QUE NÃO GOSTA DE FAZER EM CASA: botar a mesa
8. DESABILIDADES COMO DONA DE CASA: vixe, não sei nem pegar num ferro de passar
9. FRASE: nossa, são tantas...
10. PASSEIO PARA ALMA: sítio!
11. PASSEIO PARA O CORPO: banho de mar!
12. O QUE ME IRRITA: atualmente tudo! Mas falta de objetividade é duro de engolir!
13. FRASE OU PALAVRA QUE FALA MUITO: babou!
14. PALAVRÃO MAIS USADO: fudeu!
15. DESCE DO SALTO E SOBE O MORRO QUANDO: tento resolver coisas no banco!
16. PERFUME QUE USA NO MOMENTO: do sabonete do boticário
17. ELOGIO FAVORITO:qualquer um à inteligência
18. TALENTO OCULTO: produção de festas ahahaha
19. NÃO IMPORTA QUE SEJA MODA NÃO USARIA NEM NO MEU ENTERRO: qualquer coisa dos anos 80!
20. QUERIA TER NASCIDO SABENDO: pintar!
21. EU SOU EXTREMAMENTE: na corda bamba!
terça-feira, 16 de junho de 2009
sábado, 6 de junho de 2009
domingo, 31 de maio de 2009
Hipóteses
E se o fio cortar?
Se a corda cair?
E se ela não levantar?
E se o fosso se abrir?
E se o risco for?
E se o balanço subir
E se o fogo queimar
E se o chão se abrir?
E se o tempo não parar
E se o sonho não chegar
Se a vontade persistir
E se a vida não quiser?
E se não puder voltar
E se quiser parar
E se a solidão ficar
E se o barco quebrar
E se?
Se a corda cair?
E se ela não levantar?
E se o fosso se abrir?
E se o risco for?
E se o balanço subir
E se o fogo queimar
E se o chão se abrir?
E se o tempo não parar
E se o sonho não chegar
Se a vontade persistir
E se a vida não quiser?
E se não puder voltar
E se quiser parar
E se a solidão ficar
E se o barco quebrar
E se?
domingo, 24 de maio de 2009
Fora do lugar
Pavio curto
Mente em pane
Pedra fora do lugar
Mapa sem rumo
Acende o pavio
Queima o pano
Fora de ordem
Fora desordem
Desencaixe
Não encaixa
Sem prumo certo
Sem rumo reto
Relógio que corre desgovernado
Horas sem espaço medido
Intervalos de tempo irregular
Pausa sem tempo contínuo
Assim fico
Assim faço
Assim paro
Como relógio quebrado
Como sem saber pra onde ir
Sem querer ficar por aqui
Quero rumo
Prumo
Hora certa
Gente correta.
Sem incertas
Sem desetempero
Com hora
Com tempo
Com regra.
Com pavio que queima e tem fim.
Mente em pane
Pedra fora do lugar
Mapa sem rumo
Acende o pavio
Queima o pano
Fora de ordem
Fora desordem
Desencaixe
Não encaixa
Sem prumo certo
Sem rumo reto
Relógio que corre desgovernado
Horas sem espaço medido
Intervalos de tempo irregular
Pausa sem tempo contínuo
Assim fico
Assim faço
Assim paro
Como relógio quebrado
Como sem saber pra onde ir
Sem querer ficar por aqui
Quero rumo
Prumo
Hora certa
Gente correta.
Sem incertas
Sem desetempero
Com hora
Com tempo
Com regra.
Com pavio que queima e tem fim.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Por bem ou por mal
De repente se viu encurralada por aqueles valores, que sempre cultivou e aprendeu que eram os certos. Aprendeu a viver assim e se orgulhava disso. Talvez fosse um pouco inflexível, mas como ser flexível com valores. Não existe meio valor! Meia honestidade, meia bondade, meio respeito. Não sabia viver sem eles e gostava de tê-los assim bem arraigados, bem próximos, bem queridos.
De repente percebeu que aquilo que tanto prezava, alimentava a fazia cair numa armadilha. A armadilha de ser diferente dos outros, de não se enquadrar naquilo que te pediam e exigiam. Era demais. Tinha que ser assim? Abrir mão do que pensava, acreditava e seguia em função de uma necessidade maior? Fazer diferente, mais, oposto do que pregava e sentia com toda a sua alma que era o certo? Fazer errado porque lhe pediam que fizesse? E como lhe pediam.
Tentou se acalmar. Tinha de haver um jeito que pudesse combinar flexibilidade de ações, mas a mesma crença, os mesmos valores sentidos, a mesma fé professada. Tinha de haver um jeito de conseguir separar o joio do trigo. Sim, o joio do trigo. Pois no meio do trigo havia muito, muito joio. Tanto que era difícil enxergar o trigo.
Mais uma vez se desequilibrou. A tontura foi forte, forte o suficiente para fazê-la cair no chão e pensar se queria mesmo se levantar e continuar seguindo aquela corda. Ainda não sabia. Ainda não sabe. Não pode pensar, precisa continuar. Precisa subir novamente e continuar trilhando aquela corda, mesmo que seja cheia de espinhos.
Há de haver um jeito de não se sentir tão ferida pelos valores contrariados. Há de haver um jeito de viver ética, correta e profissionalmente apesar daqueles que tentam tirá-la desse caminho. Há de haver um jeito de viver, sem camaradagem. Há de haver um meio termo, um meio da corda, um meio do pé que atravessa, um meio que não doa tanto. Um lugar onde o espinho não machuque, um espaço para acomodar a pedra no sapato.
Sim, a contragosto ia ter que aprender a viver com a pedra no sapato. Não ia mais jogá-la fora como fez antes pois com ela lhe foi todo o sapato seminovo. Agora ia se acostumar com a pedra, aprender a conviver com ela até que não a sentisse mais, até que o incomodo fosse diminuindo, diminuindo até desaparecer. Mas como se havia aprendido sempre e sempre que as pedras no sapato foram feitas para serem tiradas? Como, se ela mesma sentia aquela dor enorme de pedra no sapato e sabia que tinha que tirá-la?
Essa pedra agora não podia ir embora. Ia ter que se acostumar, por bem ou por mal.
De repente percebeu que aquilo que tanto prezava, alimentava a fazia cair numa armadilha. A armadilha de ser diferente dos outros, de não se enquadrar naquilo que te pediam e exigiam. Era demais. Tinha que ser assim? Abrir mão do que pensava, acreditava e seguia em função de uma necessidade maior? Fazer diferente, mais, oposto do que pregava e sentia com toda a sua alma que era o certo? Fazer errado porque lhe pediam que fizesse? E como lhe pediam.
Tentou se acalmar. Tinha de haver um jeito que pudesse combinar flexibilidade de ações, mas a mesma crença, os mesmos valores sentidos, a mesma fé professada. Tinha de haver um jeito de conseguir separar o joio do trigo. Sim, o joio do trigo. Pois no meio do trigo havia muito, muito joio. Tanto que era difícil enxergar o trigo.
Mais uma vez se desequilibrou. A tontura foi forte, forte o suficiente para fazê-la cair no chão e pensar se queria mesmo se levantar e continuar seguindo aquela corda. Ainda não sabia. Ainda não sabe. Não pode pensar, precisa continuar. Precisa subir novamente e continuar trilhando aquela corda, mesmo que seja cheia de espinhos.
Há de haver um jeito de não se sentir tão ferida pelos valores contrariados. Há de haver um jeito de viver ética, correta e profissionalmente apesar daqueles que tentam tirá-la desse caminho. Há de haver um jeito de viver, sem camaradagem. Há de haver um meio termo, um meio da corda, um meio do pé que atravessa, um meio que não doa tanto. Um lugar onde o espinho não machuque, um espaço para acomodar a pedra no sapato.
Sim, a contragosto ia ter que aprender a viver com a pedra no sapato. Não ia mais jogá-la fora como fez antes pois com ela lhe foi todo o sapato seminovo. Agora ia se acostumar com a pedra, aprender a conviver com ela até que não a sentisse mais, até que o incomodo fosse diminuindo, diminuindo até desaparecer. Mas como se havia aprendido sempre e sempre que as pedras no sapato foram feitas para serem tiradas? Como, se ela mesma sentia aquela dor enorme de pedra no sapato e sabia que tinha que tirá-la?
Essa pedra agora não podia ir embora. Ia ter que se acostumar, por bem ou por mal.
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