domingo, 25 de outubro de 2009

Caiu da corda.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

á sorte espera

Parada num canto

Espero um tanto

Longo tempo de espera

Longa espera no tempo



Sem saber se espero e sento

Se levanto e canto

A cada espera o mesmo pranto



A cada longa jornada a mesma pausa

A cada espaço a mesma lacuna

Vazio. Medo.



Linha no vazio

Imensidão dos dias

Que teimam em esperar

Que teimam em não passar

Espera que nunca chega



Nunca finita

Nunca resposta

Só queria mais uma chance

Pra abrir outra porta

Outra sorte

Outra espera



...

domingo, 18 de outubro de 2009

O rio

Tentou mergulhar naquele rio assim como quem mergulha num lago onde não se sabe o fundo, onde não se conhece os peixes, as ervas, a água. Pensava que deveria calcular, medir, pensar, não se jogar como quem boia na tranquilidade de uma piscina de água quente. Não deu. Não quis. Não conseguia. Não era da sua natureza medir tanto naqueles assuntos de rio. Era daquelas que ia pisando pé até a beira. Fitava o rio, admirava sua beleza, se inebriava com seu reflexo na água. E se sentisse a água quente e cristalina, como aquela em que sonhava tantas vezes, não hesitava em imaginar como seria bom mergulhar nele todos os dias.

Ouvia vozes vindas de todos os lados, como almas penadas que insistiam que ela não deveria mergulhar no rio, nem fitá-lo, nem imaginá-lo, nem sonhar com ele. Diziam que naturezas como a sua não podiam se valer disso.

E ela, sentindo enorme atração por aquilo que via e não via dentro do rio, ficava ali, imóvel, esperando que o próprio rio desse o primeiro passo; assim ela não teria que fazê-lo.

Parada na beira do rio ouvia o canto dos pássaros, se distraia com a borboleta que passava, sentava, olhava para o céu sonhando com o dia que pudesse ser raio de sol, que entra levemente por dentro do rio e ilumina aquilo que não se vê.

Leve como a pena dos pássaros que ouvia cantar, a menina agora não queria saber se a água era muito fria, os se havia pedras escondidas por debaixo das ervas; queria apenas sonhar. Sonhar que água era morna e sem correnteza, sonhar que sua natureza era outra, sonhar que não havia pedras nem espinhos dentro do rio, sonhar que entraria nele assim todos os dias e que eles se completariam como 0 caule e a semente, o pólem e as flores. Queria poder sonhar, mesmo que, uma vez dentro do rio pudesse ser levada por uma correnteza para um lugar distante e inóspito.

Mergulhou dentro do Rio.

domingo, 27 de setembro de 2009

A (re) espera do fio

Se agarrou naquilo como se fosse sua última esperança. Tinha vivido dias pesados, opacos, quase perdidos. Aquele não. Aquele era a esperança de uma vida renascida, de vida alegre e vivida, de vida que havia vivido e não havia mais. Sabia que era ali que se sentia confortável, por maiores que fossem a pedras, pedras suas, que ela mesma punha no caminho, mas que ali, naquele lugar se sentia confortável e forte para tirar. Era ali, naquele lugar que sentia força e coragem suficiente para voltar atrás, pensar, repensar e agir sem medo de errar. Era ali que era grande, bonita, leve, viva. Então continuou se agarrando como se soubesse que, fora dali não haveria tanta chance. Fora dali era tudo mais incerto, mais deserto, mais bambo. Ali tinha tamanho, altura, estrutura. Fora se sentia como com pouca água, pouco ar, água morna, terra estranha.
Mas sabia da finitude do dia, do momento, daquele espaço onde podia ser. Onde era, onde perdia e se encontrava, lugar assim como casa da gente, quarto, espaço próprio.
Sentia como se tivesse voltado pra casa, lugar de onde nunca deveria ter saído, mas de onde teve que sair, não por vontade própria, mas por conta da vida que vai nos levando por caminhos que trançados e estranhos e quando vemos já estamos lá. E lá estava ela ali, se agarrando num pedacinho de passado confortante, que trazia consigo esperança de um futuro, assim, do jeito que ela queria. Daquele lugar conseguia enxergar um além limpo, livre, sem medo, dela. Dali via, havia jeito, havia esperança.
Mas como todo fio ou galho curto onde se agarra, aquele também se foi, se quebrou. Prometendo voltar dali a um mês ou dois, como mais um fio curto de vida vivida de verdade.
E agora ela, tão certa, tão segura em tantos campos, naquele terreno não sabia mais como agir. Sabia sim que voltaria aqueles dias pesados (talvez dessa vez nem fossem tanto), sem cor, esperando que um dia o fio volte, que o galho renasca ou que o vazio seja preenchido.
Ali estava ela sem esperança alguma. Sem solução alguma. Sem aquela vida ou previsão de vida alguma. Tão deserto como viver sem a esperança era talvez ter seu próprio fio oferecido e negado no instante seguinte. E agora só restava esperar.

sábado, 19 de setembro de 2009

Casa de Vó

Casa de , mesmo vizinha, é coisa de descanso. É olhar a vista pro mar da hora de acordar, ao minuto antes de dormir. É acordar com cheiro de café pronto e mesa posta. É pão já na torradeira. Morar na casa de é compania e preocupação constante. É cuidado intenso que não termina nem ao apagar das luzes, pois a dela, do quarto, nunca se apaga. Fica sempre aquela luzinha que entra por debaixo da fresta da porta.
Casa de é encanto eterno de cuidado materno, voterno. É não poder andar com pé descalço, não ficar na linha do vento, não pegar friagem, menina!
É doce quentinho da padaria, mesmo durante a dieta. É despojamento completo mesmo nos dias em que não se quer sair da cama.
Casa de é barulho de passarinho na janela, cheiro de bolo de tangerina, arroz fresquinho, barulho de chuva.
Casa de é ter as vontades adivinhadas, surpreendidas, pensamentos lidos, carinho e compania antecipados.
É espaço grande pra dormir, pra sonhar, pra descansar. É cama firme, macia, segura.
Casa de , da minha avó, é que dá mesmo vontade de ficar.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Traços Retomados

Olhou para aquele rosto como se procurasse nele um estranho ou um conhecido recente. Permeava seus traços como se buscasse não conhecer aqueles olhos, aquelas linhas, como se nunca houvesse sentido o toque daquelas mãos. Gostaria mesmo de não saber, de não conhecer ou quisesse que o tempo tivesse a capacidade de apagar, não só os fatos como aquilo que fica deles. Não era possível . Aqueles olhos lhe remetiam às mãos que lhe traziam o passado conjunto, os fatos já vividos e os momentos sentidos. Apesar de tudo não sentia dor forte. Era sim um sinal latente, como aqueles que querem mostrar que estão ali sem lhe fazer grande estrago. Mas o alarde já estava feito, ou então conseguiria olhá-lo como estranho recente ou conhecido passante. Não conseguia. E descobriu que nunca ia conseguir. Mãos, gestos, traços ficam como marcados na pele, no corpo e na lembrança, não sei se são para serem esquecidos. Olhava novamente e tentava buscar um jeito de olhar que não doesse tanto, uma posição onde não ficasse tão desconfortável, rememorando os traços - mesmo que não quisesse- se questionando sobre o possível futuro que nunca houve. Aos poucos foi encontrando o jeito, o gesto, aquele estado em que se respira fundo e volta-se o olhar para outro ponto, mantendo-se a referência, mas desfocando do objeto.
O sentir, o não querer estar perto desejando ardentemente estar, a luta interna permaneciam e provavelmente permaneceriam por bons longos anos ou eternamente. O que se transformava era a intensidade. Já não era tanto. Já era suportável. Já era possível conviver com sem pensar em. Já era possível.
E assim retomou os meses perdidos, os amigos deixados de lado, os momentos esquecidos.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Pequena das pernas curtas

Saiu procurando um lugar para se esconder, um lugar para se encontrar. Achava o mundo daquelas rodas gigantes, que rodavam sem parar mas que ela não conseguia alcançar. Se sentia sozinha, perdida, diferente, indiferente. Corria para alcançar os lugares dentro da roda. Perdia a corrida, cansava de lutar. Chorava sentada na cama, procurando um lugar para não ficar, um não estar perdido como esse. Queria estar, ser, mas gostava mesmo era do verbo pertencer. Nada lhe cabia tão bem quanto pertencer. Pertencer ao vagão azul do trem, à cabine número 343 da roda gigante. Mas seus pertencimentos haviam se esvaziado no tempo. A roda tinha girado demais. Perdeu tempo, perdeu espaço, perdeu o lugar. Ou então seu espaço estava ali, no topo da roda gigante. Tentava seguir no seu fluxo, no seu caminho, sem se preocupar com a velocidade que ia. Mas não conseguir. Queria aquele vagão, o 343. Queria pertencer à ele, assim como ao vagão azul do trem. Outro que lhe dessem não tinha tanta graça nem tamanha importância capaz de lhe preencher. Queria ser do azul. O verde não lhe caía bem.
Continuava a se sentir diferente, pequena diante da imensa roda, pior. Pior sim, pois não havia conseguido alcançar o vagão lá em cima. Corria devagar, suas pernas eram curtas. Sentiu raiva por não poder ser como os outros, por não achar o seu lugar no mundo. Temia que os outros rissem dela, a achassem diferente; pequena, das pernas curtas.
Tentava gritar ao mundo tamanha injustiça não conseguir alcançar o vagão de cima. Queria que o mundo se compadecesse de sua dor. Mas ele assim não o fazia, não obedecia suas ordens como tanto queria. E de que adiantaria gritar e chorar ao mundo se a ele nada cabia fazer para aumentar o tamanho de suas pernas. Talvez devesse se conformar em entrar no vagão 24, ou no 32, ou pudera passear entre tantos vagões de baixo para descobrir em qual se sente melhor. Ou conseguir ser assim, feliz e aceita em qualquer vagão que entrasse. Mas ainda assim suas pernas curtas lhe doíam.
Talvez devesse procurar, não aumentar o tamanho de suas pernas ou culpar o deus do universo por elas, tinha de saber viver no chão e não no alto.

sábado, 18 de julho de 2009

Oba, ganhei!!!

Ganhei da Catarina, catapensandoalto esse memê!



As regras:
1 - Dizer quem te presenteou com o selo e colocar o link do blog;
2 - Copiar e responder a um questionário;
3 - Presentear 5 blogs com o selo e avisá-los sobre.
O questionário:
1.MANIA: dormir de ventilador ligado!
2. PECADO CAPITAL: atualmente a gula, pizza!
3. MELHOR CHEIRO DO MUNDO: dama da noite na Igarapava!
4. SE DINHEIRO NÃO FOSSE PROBLEMA EU FARIA: Moraria em Paris e sairia viajando por toda a Europa!
5. CASOS DE INFÂNCIA: chorei durante 4 anos pra entrar na escola!
6. HABILIDADES COMO DONA DE CASA: bom, ainda não sou propriamente dita uma dona de casa, mas... lavar loça é uma especialidade!
7. O QUE NÃO GOSTA DE FAZER EM CASA: botar a mesa
8. DESABILIDADES COMO DONA DE CASA: vixe, não sei nem pegar num ferro de passar
9. FRASE: nossa, são tantas...
10. PASSEIO PARA ALMA: sítio!
11. PASSEIO PARA O CORPO: banho de mar!
12. O QUE ME IRRITA: atualmente tudo! Mas falta de objetividade é duro de engolir!
13. FRASE OU PALAVRA QUE FALA MUITO: babou!
14. PALAVRÃO MAIS USADO: fudeu!
15. DESCE DO SALTO E SOBE O MORRO QUANDO: tento resolver coisas no banco!
16. PERFUME QUE USA NO MOMENTO: do sabonete do boticário
17. ELOGIO FAVORITO:qualquer um à inteligência
18. TALENTO OCULTO: produção de festas ahahaha
19. NÃO IMPORTA QUE SEJA MODA NÃO USARIA NEM NO MEU ENTERRO: qualquer coisa dos anos 80!
20. QUERIA TER NASCIDO SABENDO: pintar!
21. EU SOU EXTREMAMENTE: na corda bamba!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Da série a série: "Pérolas do meu dia-a-dia"

- Sabia que eu tenho um tio que mora no São Paulo? Que língua se fala no São Paulo?

F. 4 anos

- Minha mãe não vai poder me levar à festa junina!
- Por que, querida?
- Ela vai encher os peitos e vai ter que dormir no hospital!

Pano rápido!

sábado, 6 de junho de 2009

domingo, 31 de maio de 2009

Hipóteses

E se o fio cortar?
Se a corda cair?
E se ela não levantar?
E se o fosso se abrir?

E se o risco for?
E se o balanço subir
E se o fogo queimar
E se o chão se abrir?

E se o tempo não parar
E se o sonho não chegar
Se a vontade persistir
E se a vida não quiser?

E se não puder voltar
E se quiser parar
E se a solidão ficar
E se o barco quebrar

E se?

domingo, 24 de maio de 2009

Fora do lugar

Pavio curto
Mente em pane
Pedra fora do lugar
Mapa sem rumo

Acende o pavio
Queima o pano
Fora de ordem
Fora desordem

Desencaixe
Não encaixa
Sem prumo certo
Sem rumo reto

Relógio que corre desgovernado
Horas sem espaço medido
Intervalos de tempo irregular
Pausa sem tempo contínuo

Assim fico
Assim faço
Assim paro
Como relógio quebrado

Como sem saber pra onde ir
Sem querer ficar por aqui
Quero rumo
Prumo

Hora certa
Gente correta.
Sem incertas
Sem desetempero

Com hora
Com tempo
Com regra.
Com pavio que queima e tem fim.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Por bem ou por mal

De repente se viu encurralada por aqueles valores, que sempre cultivou e aprendeu que eram os certos. Aprendeu a viver assim e se orgulhava disso. Talvez fosse um pouco inflexível, mas como ser flexível com valores. Não existe meio valor! Meia honestidade, meia bondade, meio respeito. Não sabia viver sem eles e gostava de tê-los assim bem arraigados, bem próximos, bem queridos.
De repente percebeu que aquilo que tanto prezava, alimentava a fazia cair numa armadilha. A armadilha de ser diferente dos outros, de não se enquadrar naquilo que te pediam e exigiam. Era demais. Tinha que ser assim? Abrir mão do que pensava, acreditava e seguia em função de uma necessidade maior? Fazer diferente, mais, oposto do que pregava e sentia com toda a sua alma que era o certo? Fazer errado porque lhe pediam que fizesse? E como lhe pediam.
Tentou se acalmar. Tinha de haver um jeito que pudesse combinar flexibilidade de ações, mas a mesma crença, os mesmos valores sentidos, a mesma fé professada. Tinha de haver um jeito de conseguir separar o joio do trigo. Sim, o joio do trigo. Pois no meio do trigo havia muito, muito joio. Tanto que era difícil enxergar o trigo.
Mais uma vez se desequilibrou. A tontura foi forte, forte o suficiente para fazê-la cair no chão e pensar se queria mesmo se levantar e continuar seguindo aquela corda. Ainda não sabia. Ainda não sabe. Não pode pensar, precisa continuar. Precisa subir novamente e continuar trilhando aquela corda, mesmo que seja cheia de espinhos.
Há de haver um jeito de não se sentir tão ferida pelos valores contrariados. Há de haver um jeito de viver ética, correta e profissionalmente apesar daqueles que tentam tirá-la desse caminho. Há de haver um jeito de viver, sem camaradagem. Há de haver um meio termo, um meio da corda, um meio do pé que atravessa, um meio que não doa tanto. Um lugar onde o espinho não machuque, um espaço para acomodar a pedra no sapato.
Sim, a contragosto ia ter que aprender a viver com a pedra no sapato. Não ia mais jogá-la fora como fez antes pois com ela lhe foi todo o sapato seminovo. Agora ia se acostumar com a pedra, aprender a conviver com ela até que não a sentisse mais, até que o incomodo fosse diminuindo, diminuindo até desaparecer. Mas como se havia aprendido sempre e sempre que as pedras no sapato foram feitas para serem tiradas? Como, se ela mesma sentia aquela dor enorme de pedra no sapato e sabia que tinha que tirá-la?
Essa pedra agora não podia ir embora. Ia ter que se acostumar, por bem ou por mal.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Completude e alegria!

Sensação de dever cumprido. Sensação de produto meu, feito, elaborado, pensado, acarinhado, embalado, criado por mim. Fruto da minha história, das minhas vivências, minhas leituras, minhas experiência, minha vida. Feito com todo cuidado, como quando a gente cuida de uma planta no jardim. Perseverado, acreditado como quem quer que seu aluno aprenda, como quem quer subir uma montanha, uma trilha, descer uma correnteza.
Felicidade de quem sabe que é só seu e ninguém tasca. Felicidade de ter criado, acreditado e percebido que nem era tão difícil assim como diziam. Perceber que é sim uma de suas grandes habilidades fazer crescer, discorrer, escrever.
Sentir que deu mais um passo na corda, que agora se transformou mais uma vez. Sentir que tem mais firmeza, mais equilíbrio, menos medo.
E melhor, sensação de primeiro. Primeiro passo, primeira obra. Caminho apenas iniciado
Monografia Pronta, entregue!

domingo, 10 de maio de 2009

80 anos


Minha avó é daquelas criaturas que parecem ter saído de um livro de histórias., Matriarca maior dessa família, reúne todos à mesa, conta casos, histórias, ouve, às vezes se espanta com tanta modernidade. Não gosta de internet, não se entende com o celular, e se dá o direito de depois de tanto tempo, não querer se envolver com a tecnologia. Dona Apparecida, ou Dona Benta, gosta de é cuidar! Dos filhos, dos netos, dos futuros bisnetos...
Vó que sabe ter alma de criança, força de mentora desse lar, que chora, que ri, que ainda leva cantada do moço na rua e dá risada, deixando a neta horrorizada! Vó que já viveu poucas e boas, que já perdeu muito, já ganhou um outro tanto, mas que consegue como ninguém unir essa italianada toda!
Vóvozinha me lembra risada, carinho, colo, ternura sem fim. Comida caseira, com gosto que só a dela tem, gosto de família, de união, tempero de amor mesmo. Amor de Vó.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Tudo novo, denovo

Nada como novas amizades e um fim de semana no sítio!


Nada como olhar pra cada canto da casa e ter uma história pra contar:

Nada como rever conceitos, pré-conceitos, imagens e percepções das coisas. Nada como se abrir ao novo, ao diferente, ao desequilíbrio, mesmo que pareça angustiante num primeiro momento.
Nada como tentar nascer denovo, descobrir que não se está só, que não se sofre só e que partilhar pode ser a melhor solução pra se sair de onde está.
Nada como ir passo a passo ganhando terreno, construindo a casa, arrumando os móveis, fazendo do lugar novo um lar.
Nada como se deixar conhecer, agradar.
É tudo novo, denovo.







terça-feira, 21 de abril de 2009

Tiradentes e a Ditadura Militar

Hoje é dia de Tiradentes, mas com tantos feriados de tantos motivos por aí, acabamos esquecendo o que nos fazem parar nesses dias. Eu também provavelmente me esqueceria do porque não trabalho nesse dia se não fossem por dois fatores aparentemente sem relação.
Domingo passado assisti ao filme "Batismo de sangue", baseado no livro homônimo de Frei Beto, que conta a história de quatro freis dominicanos durante a ditadura militar no Brasil. Nunca tinha tido a real dimensão do que foi e do tamanho sofrimento que causou a ditadura antes desse filme.
Pensar que um grupo de militares não só tomou o poder a força como teve esse poder legitimado por grande parte da nossa população, ver o quanto sofreram, literalmente, na pele os presos políticos que só queriam libertar a sociedade de um governo violento e sem escrúpulos, pedindo um governo que repartisse os bens entre todos. Em tempos pós Osama Bin Laden, ver que esses intelectuais, artistas, freis, cidadãos eram chamados de terroristas é, se não inconcebível, um pouco inacreditável. Minha geração viveu a maior parte da vida na "democracia", se é que podemos dizer que nosso país tenha uma democracia real, que não seja só política.
O filme retrata diversas cenas de tortura, fortes, com peso de verdade, e as consequências que elas trouxeram àqueles homens e mulheres. Difícil entender como muitos conseguiram sobreviver sãos depois de tanto sofrimento. Alguns não puderam resistir, não pelo corpo, mas pela mente e pela alma que ficaram para sempre naquelas horas de tortura. Preferiram deixar vida para dar fim ao tormento que os perseguia.
O filme não me mobilizou tanto emocionalmente na hora em que terminou quanto no dia seguinte. Era algo que precisava ser pensado e digerido (se é que é possível digerir isso em algum momento).
No dia seguinte, na escola quando falávamos às crianças quem foi Tiradentes, o que ele tentou fazer pelo Brasil e como foi punido, todo o filme me veio a mente, fui profundamente tocada e ferida.
Nesse momento, em que a outra professora explicava, algo que, é claro, eu já "sabia" desde a idade de meus alunos, tive uma súbita tomada de consciência. Sofri muito,por saber que aquele homem, que só quis trazer ao nosso país, liberdade e independência, foi humilhado,morto enforcado e esquartejado. Logo então me vieram as cenas do filme, cenas que como a da morte de Tiradentes realmente aconteceram, não foram somente um parágrafo escrito num livro de história. Senti enorme tristeza por ser membro de um povo que tenha feito isso com seus homens e mulheres. Senti enorme dor por pertencer a esse povo, que pune tentativa de liberdade com tortura, impulso à vida com a morte. E chorei, chorei e continuo chorando por Tiradentes, por Beto, por Tito e por tantos outros que tiveram que sentir dor, sede, fome, saudade, medo, desespero e que tiveram que morrer por amor a nossa pátria.
Tentei, mas acho que ainda não consegui e talvez nunca consiga, expressar aqui, em alguns parágrafos de um texto, a real tomada de consciência do que aconteceu (e ainda acontece) no Brasil.

domingo, 19 de abril de 2009

Carinhoso

Abriu os olhos. Eram seis da manhã e aquele pensamento atormentava-a. Decidiu então ir ao encontro do tormento. Tomar uma decisão, sair da rotina de um domingo pacato e sem vida. Partiu rumo ao desconhecido com ponta de conhecimento. Partiu em busca daquilo que mais queria. Tinha medo de tudo dar errado, de sair do normal e controlado numa busca desenfreada para acalmar o coração. Saiu em busca. Saiu.

O coração estava naqueles dias de bater forte, lembrando-a a todo tempo que ele estava ali. Sim, ela foi atrás dele.

Estava sendo guiada pelo impulso, seu companheiro não muito frequente, pois ela gostava de manter tudo controlado, sem imprevistos, sem novidades, tudo ao seu alcance de controle. Mas aquilo que sentia já saia de seu controle, então por que não ir em busca.

Chegou. O tormendo parou por alguns momentos. Olhou as pessoas, os prédios, viu que aquilo era comum. Ninguém a olhava, a observava por estar só. Sentiu- se grande, maior do que já tinha estado antes. Sentiu-se madura, adulta, inteira.

Foi encontrada pelo que tanto almejava, como se já não bastasse o encontro, tinha sido achada. Sorriu.

Oscilava entre uma tempestade e uma calmaria. Não tinha mais aquela sensação de que tudo ia acabar no próximo instante. Sentia que esse instante duraria a eternidade. E durava.

Ele a levava para o seu mundo, um mundo fora do dela, o mundo real. Ela tentava entrar no seu mundo, com medo de parecer fora do mundo. Olhava, chegava mais perto. Mas era só chegar perto que o tormento, agora já de encontro com sua razão de ser, voltava a fazer tempestade.

Misturava uma felicidade incabível,transbordante, com um tanto de vontade de chorar. Não era tristeza nem alegria. Era poesia. Que nem palavra pode dar nome. Que nem nome pode ser suficiente. Se dividia agora entre a poesia e a realidade. Arriscar o maior do seus mundos pra abraçar com toda força aquilo que nem ela sabia se cabia dentro de si? Desistir para acabar com a tormenta poética?
Não fez nem uma coisa nem outra. Voltou pra casa com a quase maior da felicidades (sim, pois ela ainda não estava completa). Felicidade simples de criança que vê a mãe buscá-la na escola, felicidade de dia de céu azul, felicidade de filme do Chaplin que consegue misturar lágrima e sorriso num mesmo instante.
O medo da poesia em vão? Esse ela deixou pra depois.
E quando chegou em casa só restava de tudo isso, um Carinhoso de Pixinguinha que cantou, cantou sem parar.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Pérolas do Dia a dia

A professora tenta explicar que não se deve reclamar quando se ganha um presente que já se tem:
- Turma, o que que a gente faz quando ganha um presente que já tem?
- Troca!

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A professora e as crianças brincam com bonecos em formas de animais e,olhando para o tigre, diz:

- Olha, é o thundercats!
- Não professora, não é thundercatas é Wild Cats!

Pano Rápido!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Na Nova Corda Bamba

Não há quase nada mais parecido com o trabalho do equilibrista quanto entrar num novo ambiente, de trabalho e de amigos. Começar um novo trabalho é andar na corda bamba. Não saber o quanto se pode cair para um lado ou para o outro, andar devagar para saber que tipo de corda se está pisando, sentir que qualquer passo em falso pode significar uma queda.
Há o medo de ousar, de fazer de mais, de menos, igual aos outros, diferente dos outros, melhor que alguém, pior que qualquer um. Adiciona-se a isso o novo grupo social do qual se começa a fazer parte. Não há muita intimidade, nem pouca, já que o contato é diário. Não se sabe o que pode se falar, o que se deve calar, é como um passo devagar e delicado sobre a corda, temendo que pisemos com muita força, temendo que a leveza não seja suficiente.
Alguns passam por essa corda com a firmeza de equilibristas experientes, não temem os passos, o peso, o avanço. Outros, com tanto medo de cair, acabam não se arriscando a trilhar a nova corda que surge. Ficam para traz. Deixam de passear por um novo caminho, de construir novas amizades, de crescer profissionalmente. Os que avançam rápido também tem seus percalços. Podem cair, numa distração, podem ser pesados de mais pelo tamanho do orgulho, não andam com um pé após o outro, tentam pular um pedaço da corda.
O desafio do equilibrista é andar pé ante pé, sentindo o peso da corda em todo o corpo, balançando ora para um lado, ora para o outro, equilibrando o corpo e a mente.
Começar num novo trabalho exige equilíbrio dinâmico. Precisa-se fazer pouco daqui, muito dali, compensando um lado com o outro. Dando um passo para trás quando for preciso.
Entrar num novo meio exige coragem. Coragem de se arriscar, de vencer o medo de não ser aceito, de aceitar que não pode agradar e ser amado por todos. Andar nessa corda bamba exige levantar a cabeça todos os dias avançando um pouquinho mais a cada momento que se encontra uma brecha; ser gentil, querer aceitar o outro, dizer sim, quando muitas vezes o medo faz querer não. Exige principalmente paciência.
Andar nessa corda é uma escolha. Escolha de semear para o futuro, de plantar as semente sem saber se darão frutos, mas sabendo que foi-se um bom semeador, que seguiu o tempo de arar a terra,de plantar, de regar, de podar e de colher.

Respira, desequilibra, reequilibra e segue em frente.

domingo, 12 de abril de 2009

Feliz Páscoa


Feliz Páscoa para todos nós equilibristas!
Que a alegria da ressurreição preencha o coração de todos!

Poema contemporâneo

Passa tempo
Passa hora
Corre tempo
Corre Corre

Vida passa
Vida fica
Vida busca
Infinita

Falta tempo
Falta ar

Gira roda
Roda a máquina
Não pode parar
Não pode parar

Gira o tempo
Fica o ponteiro
Não passa o tempo
Não passa momento

Falta tempo
Falta ar
Sobra tempo
Falta ar

Sempre movimento
Parar jamais
Não anda vivendo
Vai vivendo correndo

Muito longe
Muita busca
Longo o caminho
Longe o alcance

Não falta tempo
Não sobra o ar
Não quer o tempo
Quer de volta o ar

Outro tempo
Outro tanto
Tanto tempo
Menos tempo

Parece infinito o caminho
Parece escasso o espaço
Parece curta a via
Que faz escolher a estrada

Muitas vias
Poucas escolhas
Muita vontade
Muita saudade

Do tempo que havia tempo
Do tempo que havia ar
Da estrada que perdia tempo
Da estrada que sobrava ar

Tarefa de descompromisso

O sitio é daqueles lugares mágicos onde podemos ficar horas parados contemplando o céu, olhando as plantas, a paisagem. Ando com a sensação de que preciso aproveitar tudo logo, antes que se acabe. É como um carpe dien exacerbado, onde impera a necessidade e pressa de poder de curtir tudo o que é possível ao mesmo tempo.
Saí da cidade no intuito de fugir desse clima de pressa, pouco tempo, muitas coisas, pouco tempo, que acabam nos deixando num estado de aceleração tamanho que é difícil nos desfazermos, mesmo nos finais de semana.
Qual a minha surpresa ao chegar aqui e continuar no mesmo estado de aceleração que me encontrava antes. Tinha que aproveitar os dias fora para ler, pensar, escrever, tomar sol, balançar na rede, olhar a paisagem, relaxar (sim, relaxar estava dentre os meus deveres de vir ao campo), ir a piscina, acordar cedo, dormir cedo, relembrar a infância, tomar café da manhã no sítio (coisa que eu mais adoro, desde criança), olhar o céu, não dormir no sol para olhar o céu, passear, não pensar em nada, aproveitar ao máximo. Ufa!
De repente tudo virou uma tarefa como aquelas do cotidiano do qual eu pretendia fugir. Como eu disse, vim para o sítio no intuito de me desligar da rotina, da cidade e das tarefas e acabei com mais uma lista delas para cumprir.
Nunca entendi muito bem quando as pessoas falavam do stress, da vida corrida, dos maus hábitos alimentares, da ansiedade que vem crescendo a cada dia mais. Não tinha vivido, até esse ano, uma rotina pesada, dessas que imploram por uma fuga para um lugar como esse em qual me encontro agora no momento em que digito esse texto.
Desde o início do ano entrei em uma rotina pesada de muito trabalho e estudo, mais pesada do que eu imaginava e que tem meu causado um mal estar constante. Isso talvez não fosse problema se tivesse os finais de semana para sair da rotina, mas não os tenho. Em breve terei, aguardo ansiosamente dia 23 de maio, dia em que acabo minha pós-graduação aos sábados e que os terei de volta para mim, assim como os domingos que atualmente uso para estudar.
A questão é, que, com a necessidade que temos hoje de trabalhar, criar projetos, pensar no futuro, pensar em nós, nos filhos (não os meus, não os tenho), em namorar (não nos meu, não o tenho), em, em sair, se divertir, procurar alguém interessante para namorar, esperar o alguém, descansar e etc. tudo, até a diversão e o descanso acabam virando mais uma tarefa a ser cumprida. Talvez seja a odisséia dos vinte e tantos anos, talvez os que estejam passando por isso leiam isso e se identifiquem. Sabemos que é uma fase em que temos que plantar tudo para colher no futuro, e isso inclui saídas para conhecer pessoas interessantes, descanso para agüentar a semana de trabalho, estudo e trabalho para estruturar a carreira, enfim, são muitos “tem que” pensando no futuro, plantando para mais tarde colher.
A avidez por dar conta de tudo, por conhecer tudo, aproveitar tudo, sentir tudo, trilhar todos os caminhos possíveis acaba fazendo com que não consigamos aproveitar nada em sua completude. Nada nos completa, nada consegue dar-se por finito. E a ansiedade vai aumentando cada vez mais. Nem um paraíso como esse em que me encontro agora é capaz de sanar ou abrandar esse sentimento de incompletude e pressa que temos aos vinte e tantos anos.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Wagner e Hamlet

Não sou dessas entendedoras de teatro, mas me arrisco aqui a falar, tamanha a minha comoção pelo espetáculo que vi ontem.
Um ator no palco, inteiro, pleno, dedicado. Um texto e uma história tão intensa quando a entrega do ator. Essa foi a experiencia de ver Hamlet, encenado por Wagner Moura, desejo que quase me levou a São Paulo mas que pude ontem mesmo sanar.
Não tinha dúvidas da grandeza e talento de Wagner. Acompanho esse baiano desde " A máquina", peça que trouxe grandes talentos para o Rio de Janeiro. Lázaro, Vladmir, João Falcão.
Nunca tinha visto encenação alguma de texto de Shakespeare, não tinha noção de tamanha intensidade. Wagner simplesmente correspondeu a todas a minhas expectativas, me fazendo admirá-lo cada vez mais. Não sai surpresa, mas comovida.
O texto do autor inglês cai como uma luva para Wagner, que o absorve, se envolve, se entrega, assim como Hamlet se entrega à suas dúvidas, e à sua morte.
A tradução de Aderbal Freire deixam o texto oscilando entre a leveza cômica brilhantemente traduzida por Wagner e pelo personagem Polônio (infelizmente não sei o nome do ator, mas ele é primoroso!). Mateus Solando (parqueano e colega de tablado) continua mostrando a que veio e confirma o que começou a mostrar em Mayza.
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É sim uma peça longa, que pode cansar mesmo aqueles que estão sugados pela história e pelas belas atuações. Mas vale cada segundo e cada centavo.
Fico olhando Wagner Moura e imaginando-o daqui a 20 anos... é um ator desses que vai fazer (e já está fazendo) história.
Recomendo! Vejam Hamlet e aproveitem também para apreciar o novo teatro Casagrande!

"O resto é silêncio"
William Shakespeare

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Meme??

Tirado do blog da Cata!

ONTEM
1. Eu era... Estudante
2. Eu queria... namorar
3. Eu tinha... uma caixinha de música com uma bailarina
4. Eu sabia...
5. Eu adorava... a batty boop
6. Eu gargalhava... com pouquíssimas coisas
7. Eu duvidava... que o amor não durasse para sempre
8. Eu escutava...Fabio Junior, Mauricio Mattar, Guns and roses, roupa nova, paquitas...
!9. Eu viajava... pro sítio com a familia, todo carnaval
10. Eu queria conhecer... a Itália
11. Eu vestia... uniforme da escola!
12. Eu me assustava... com os policiais nas ruas
13. Eu esperava... a fada do dente!
14. Eu dizia... que ia casar com 19 anos! (ahahaha)
15. Eu bebia... cerveja, só cerveja
16. Eu sonhava... casar e ter filhos

HOJE
1. Eu sou... uma profissional
2. Eu quero... fazer mestrado, dar aula em faculdade.
3. Eu tenho... uma cadela linda chamada Nina
4. Eu sei... muito, mas muito mais do que sabia antes!
5. Eu adoro... ler, pegar sol, viajar
6. Eu gargalho... com o Marcelo Médici
7. Eu duvido... atualmente não duvido de nada...
8. Eu escuto... chico, edu, tom...(olha o pulo!!!)
9. Eu viajo...pra lugares mais distantes
10.Eu quero conhecer... Madrid, Barcelona, Praga, o interior da França
11. Eu visto... uniforme da escola ahahaha
12. Eu me assusto... com o aquecimento global
13. Eu espero... terminar meu francês, viajar, casar, ter filhos
14. Eu digo... mais "nãos" do que antes
15. Eu bebo... vinho, tequila, caipirinha, cerveja, chopp, marguerita, michelada
16. Eu sonho... tantas coisas...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Desabafo 1: tudo ao mesmo tempo agora gera 12h de trabalho por dia e uma carga de cansaço que tá duro de aguentar.

Desabafo 2: O que é do homem o bicho não come. Comprar uma briga e ganhar tem um gostinho de vitória e de justiça, apesar da marca que fica.

Desabafo 3: Começar a ver as sementes plantadas dando broto é felicidade compensa o cansaço, e as marcas que ficam das lutas travadas.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Partir, andar

Partir, andar é sempre necessário. Pra ir mais a frente é sempre necessário partir de um ponto atrás. Andar implica sempre estar deixando algo para tras. Mas, apesar de ser sempre necessário andar pra frente pra se chegar a algum lugar, partir deixa aquela pontinha de tristeza, de quem está deixando parte de si junto com aquilo que ficou.
Apesar de feliz pelo caminho a andar e os lugares a percorrer, fico com a tristeza de estar deixando um pedaço da vida pra tras. As pessoas deixam marcas, espaços preenchidos, ficam ali, depois vão embora...
Andar, partir...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

E se a hora não chegar nunca? E se o impensável acontecer? Tem dias que bate uma desesperança..

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Trabalho

O trabalho dignifica o homem, ocupa o tempo, o espaço, a mente. Dá dinheiro, recompensa, beijinhos, carinhos! Diminui a gravidade dos problemas, a diversidades dos problemas, cria outros tantos!
O meu trabalho gera risadas, ideias, "oh que lindo"s , "que coisinha"s, "como pode"s? "Não podes"s, "que lindo"s, "que coisa feia"s, musicas que não saem da cabeça, pregadores perdidos no bolso, tinta na calça, na blusa, na unha, no cabelo!
Tem hora de descanso, lanche, história, desenho, pintura, colagem!
Tem: "Isabella, olha o meu desenho" "Isabella, olha o que ele fez!", "Isabella, vamos construir um castelo de areia?", "Jardim I vamos fazer um trem!" e todo um novo mundo!
O meu trabalho é de paciência, dedicação, esperança, vida!
Novo trabalho, Nova Escola, Nova vida! Vida fofa, vai!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Na Corda Bamba também é cultura


Whaterhouse




Odilon Rendon



Matisse




Mairie Laurecin


Roubado de Leo Hallal!

Algumas respostas

Incrivemente Fragmentos Alheios me deram algumas possíveis respostas hoje para as perguntas de ontem:

"Entre a raiz e a flor há o TEMPO."(Drummond)

"Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível."
(Mahatma Gandhi)


"A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo."
(Fernando Pessoa)


Fonte: Blog Fragmentos Alheios

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Crise dos vinte e tantos anos


Dinheiro. Conhecimento. Sucesso. Inteligência. Estabilidade. Casamento. Filhos. Diversão. Amigos. Dinheiro. Sucesso. Estabilidade. Felicidade. Satisfação. Nossa, é muita coisa a alcançar ao mesmo tempo antes de chegar aos 30.
Casar ou comprar uma bicicleta? Investir na carreira a longo prazo ou ganhar dinheiro a curto?
Viajar ou sair de casa? Procurar um bom emprego ou ficar naquilo que se gosta?
Investir a curto ou a longo prazo? Metas? Objetivos? Plano de carreira? Lazer ou trabalho? Dá pra manter os dois e estabilizar o futuro?
Sair de casa e construir a própria vida ou ficar em casa pra juntar dinheiro?
Juntar dinheiro: pra sair de casa, viajar de férias pro nordeste ou fazer um curso na europa?
Morar sozinho ou dividir com alguém?
Morar sozinho?
Fazer cursos ou outra faculdade? Mestrado ou especialização? Carreira acadêmica ou profissional?
Procurar ou deixar aparecer? Relaxar ou correr atrás?
Estudar no exterior ou fazer carreira no Brasil?
Se estabilizar, ganhar dinheiro, ou sair por aí procurando novas coisas?
Ufa! cansei!

domingo, 18 de janeiro de 2009

Muletas

Ando me despedindo das muletas. Andar pelos próprios pés e só por eles é liberdade que dá gosto. Felicidade enorme. Sensação de grandeza, completude, infinito de possibilidades. Me despedi. Eu. Não foram elas que me abandonaram. Fui tirando aos poucos, andando devagarinho, pé ante pé. Quando vi já estava correndo. Mas era só uma primeira tentativa, coloquei-as novamente e esperei outra oportunidade de tirá-las.Tentei mais uma vez. Corria melhor e mais veloz. Resolvi então me despedir totalmente, colocar no armário, no fundo de uma gaveta. Espero não precisar mais delas. Andar lado a lado é melhor que andar de muletas.
É bom saber que elas continuam na gaveta, mas que eu, podendo andar de pé, não preciso mais delas. Posso andar, pular, dar cambalhota, correr, saltar, fazer estripulias. São inúmeras possibilidades sem elas. Com elas, eram poucas.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Responder por si

Tomar decisões é um ato de extrema coragem. Pode-se perguntar daqui, pedir um conselho ali, mas no final de tudo, a decisão é sempre nossa. Ato de coragem decidir sem saber o que há de vir, sem saber se há arrependimento ou confirmação da decisão tomada.
Ser o único responsável pelas decisões tomadas pode ser tão libertador quanto amedrontador. Se é livre para se ir aonde se quer, mas sem saber aonde pode chegar o caminho arriscado.
Alguns preferem abdicar de tal liberdade tamanho o medo de não estarem tomando o melhor caminho. Perguntam demais, deixam que outros os digam o que é melhor, se eximindo da responsabilidade e da liberdade. Outros preferem ter toda a liberdade mesmo sabendo do risco de se tomar todas as decisões sozinhos. No final, somos os únicos responsáveis e sofredores das consequências das decisões que tomamos. O poder de deter essa responsabilidade é tão nosso quanto o corpo em que vivemos.
Assim como o corpo é nosso, o caminho, a estrada, o que pode vir dela e onde ela deve chegar são nossos, propriedades e deveres nossos. Assim também como nós somos o retrato delas, das escolhas, das decisões, dos caminhos tomados.
Talvez não seja mais tão assustador quanto engrandecedor. Ter o poder de decidir por si mesmo nos dá a rédea da vida. Pro bem ou pro mal. Sempre sabendo que podemos consertar, voltar a tras, mudar, reorganizar. Nascemos sozinhos, crescemos sozinhos, morremos sozinhos e principalmente, decidimos sozinhos.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Um pouco de Clarice

“Está sempre numa situação pelo menos de semi-crise. Ela aplica intensidade ao que não a merece. A tudo empresta uma paixão que exorbita do motivo da paixão. E a frivolidade se manifesta ao dar importância às espumas da vida. Uma vez uma coisa alcançada, ela não a deseja mais.”
In: "Sopro de Vida"


“Coisas que aprendi...
Você não acha que cada uma de nós poderia escrever pelo menos um folhetozinho, se não um livro (as felizardas), sobre as coisas que foi aprendendo na vida?
O que é que você aprendeu, por exemplo? Em aprender, vale tudo. Eu, por mim, não aprendi muito – e isso é porque valorizo cada fiapo de ensinamento que os dias foram me dando. E valorizo sobretudo o que aprendi à minha própria custa. Não é por vaidade, acho que é porque doeu mais aprender desse modo, custou mais caro q a gente esquece menos.Que é que você aprendeu, por exemplo, a respeito de conselho? Quero dizer dar conselhos?Aprendi que ouvir quem tem um problema é quase mais importante do que aconselhar. Enquanto a pessoa vai falando – e sabendo que alguém ouve realmente – ela própria vai se esclarecendo. Sem falar que desabafa também.Outra cosia que aprendi sobre o mesmo assunto, se você disser à pessoa que ela está “completamente errada”, você a coloca na mesma hora na defensiva, o que também significa “disposição de não aceitar”. E você que está com a melhor boa vontade do mundo em querer ajudar só consegue é criar uma infeliz animosidade.Conheço uma pessoa que descobriu um jeito muito bom de “contrariar”. Depois que ouve o maior absurdo responde pensativamente: “É, sim. Mas por outro lado... etc.” e então diz com suavidade o que realmente lhe parece."
(In: Correio Feminino) - Retirado do Blog "Fragmentos Alheios"

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Diálogo infantil

Professora tenta explicar aos alunos o que significa sogra.
- A sogra é a mãe do marido ou da esposa. Por exemplo: João, quando você se casar a mãe da sua esposa será a sua sogra.
Enquanto isso, Maria interrompe dizendo:
- Eu não vou me casar nunca!
A professora continua a explicação:
- Ou então, quando Maria se casar, quer dizer, quando eu me casar, a mãe do meu marido será minha sogra.
Maria interrompe mais uma vez:
- VOCÊ AINDA NÃO SE CASOU??????????? POR QUE??- pergunta espantada
Enquanto a professora, desconcertada, pensava em uma resposta sensata para dar a menina que não quer se casar, João respondia por ela:
- É porque você trabalha e tem faculdade, não tem tempo de ficar em casa, ?

Pano rápido!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Aquilo de guardar

Tentava puxar o fio para chegar ao final da linha e descobrir então o motivo. Aquilo que já havia sentido mas não sabia o que era. Era sentimento recorrente, mas que há tempos não fazia mais parte de si. Nunca entendeu o que levava ele, talvez em alguns momentos tenha achado que entendia. Mas não. Agora era questão de honra entender o que lhe causava aquilo.
Sabia com todas as certezas que a razão poderia lhe dar, que havia sido uma noite suprema. Cheia de entendimentos e clarezas, amizade pra toda vida. Sabia que talvez não houvesse ninguém no mundo que lhe visse com tanta clareza, que lhe olhasse tão fundo, que pudesse enxergar sua alma e descobrir seu reflexo. Talvez ninguém desenrolasse tão fácil os fios emaranhados dentro dela. Pensou em ficar só nisso, desenrolando seus fios, ouvindo os fios dele que pareciam tão lisos, linhas retas. Mas não ficou. Nunca haviam estado tão próximos. Nunca tinha visto de tão perto sua alma. A dele e a sua. Tinha medo do que dizia, por isso às vezes preferia só ouvir. Receava sua alma não interessar tanto a ele quando a dele a ela. Ouvia e percebia que ele era sim de carne e osso, assim como ela. Com dores e desamores, paixões e reações. Já achou, antes, que ele era de outro mundo. Talvez fosse maneira de se proteger inventando que moravam em mundos diferentes. Mas não, moravam na mesma galáxia, falavam e entendiam as mesmas coisas, mas ele ainda parecia, de algum jeito, estar um plano acima. Talvez fosse só parecesse.
Encantou-se com o abrir de sua alma. Da dele. Não achava que fosse merecedora de conhece-la tão de perto. Ele parecia saber e entender de todos os seus males, dizia serem um só, mas não dizia o que era. Ela sabia que era dela a responsabilidade de tudo. De descobrir e desfazer os males, ou o mal.
Pode ter sido a melhor conversa vivida, tempo que não se passava, poderia ficar ali uma eternidade entre a luz vinda da rua e o gato na janela. Podia ser daí o motivo daquilo. Querer eternizar o momento. Querer fazer perdurar aquilo que já tinha passado.
Continuava então a batalha com aquilo. Batalha sendo perdida. Por mais que pensasse com a mente dele, mente que pensa no agora, que vê que a beleza do momento não precisa ser perpetuada, tem de ser vivida. Por mais que tentasse se encaixar na alma dele, não conseguia. Aquilo continuava pulsando, como veia.
Ainda era uma questão de honra, depois da noite vivida, tirar aquilo de dentro de si.Para que outras como aquela pudessem acontecer, mais clarezas, mais troca. Não queria mais aquilo. Queria ficar com a beleza vivida, deixar fluir e não querer guardar pra si. Mas queria. Tinha a péssima mania de querer perpetuar tudo. De guardar dentro de um pote para que não fugisse e pudesse recuperar no momento que lhe desse vontade.
Apesar de serem do mesmo mundo, não eram da mesma matéria, não eram feitos um para o outro, e ela sabia disso. Mas a proximidade daquela noite desconcertou os relógios. De novo.
Queria acertar o seu e voltar a ser como era antes. Ponteiros acertados. Hora certa, segura.
Sabia que já havia sentido aquilo antes, que era situação recorrente, mas precisava entender para se libertar. Era matéria de perpetuação? Ou medo de ser tão livre como ele? Ainda não conseguia desembolar os fios.
Mas ninguém desenrolava seus fios tão bem quanto ele.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Palavras e foguetes

As palavras saíram como um foguete rumo a seu alvo destrutivo. Iam com toda força e ânsia de destruir tudo, não deixar pedaço sobre pedaço. Era movido pela raiva, não há aplacamento nem condescendência. As palavras haviam saído e não voltariam mais. Assim como o foguete. Atingiram seu alvo, chocaram, destruíram, fizeram justiça.
Precisava acabar com todo o motivo de sua dor. Precisava extinguir tudo aquilo que ameaçava sua existência e a impedia de viver com dignidade. Era uma guerra, uma luta na selva pela sobrevivência. Era como se a existência do outro lhe tirasse a vida, lhe ameaçasse os dias, lhe tirasse a paz. Era preciso se defender.
Mirou seu alvo com todos os seus foguetes, que assim como as palavras não voltaram atrás. Mas não havia porque. Ela não queria voltar atrás. Tinha sede de vingança, ódio escondido, macabro, precisava exterminar qualquer um que fosse que a ameaçasse; afinal, era a sua sobrevivência, sua existência que estava em risco. Assim como uma leoa defende sua vida e sua cria dos predadores, ela precisava defender a sua. E como todo bicho, pra se defender, atacava.
Não sabia de onde, do fundo, começava isso. Sabia da sua dor, do seu medo e do culpado de tudo isso. Precisava acabar com ele, antes que ele acabasse com ela. Era matar ou morrer.
Mas não era bicho. Era gente. E como gente que tem alma, sofre com as palavras ditas, com os foguetes que não voltam. Não gosta de caçar, de exterminar, o faz por sobrevivência, mas essa lhe custa a dor de matar, dor de culpa, dor de sofrimento do outro. Por alguns momentos não diferencia a sua dor do outro, suas vidas estão misturadas, enlameadas, indissociadas. E ferindo o outro em busca de vida, acaba ferindo-se, sangrando.
Era preciso saber onde começava. Era preciso dissociar, clarear, limpar, fazer duas vidas separadas. Era preciso compreender e sentir que aquela vida, separada da sua, não ameaça sua existência. Era preciso separar, desintoxicar, desaglutinar. Era preciso não precisar ferir, matar, lançar foguetes, defender a cria.
Era preciso sentir-se única. E assim as palavras não precisariam mais sair como foguetes.