domingo, 25 de outubro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
á sorte espera
Parada num canto
Espero um tanto
Longo tempo de espera
Longa espera no tempo
Sem saber se espero e sento
Se levanto e canto
A cada espera o mesmo pranto
A cada longa jornada a mesma pausa
A cada espaço a mesma lacuna
Vazio. Medo.
Linha no vazio
Imensidão dos dias
Que teimam em esperar
Que teimam em não passar
Espera que nunca chega
Nunca finita
Nunca resposta
Só queria mais uma chance
Pra abrir outra porta
Outra sorte
Outra espera
...
Espero um tanto
Longo tempo de espera
Longa espera no tempo
Sem saber se espero e sento
Se levanto e canto
A cada espera o mesmo pranto
A cada longa jornada a mesma pausa
A cada espaço a mesma lacuna
Vazio. Medo.
Linha no vazio
Imensidão dos dias
Que teimam em esperar
Que teimam em não passar
Espera que nunca chega
Nunca finita
Nunca resposta
Só queria mais uma chance
Pra abrir outra porta
Outra sorte
Outra espera
...
domingo, 18 de outubro de 2009
O rio
Tentou mergulhar naquele rio assim como quem mergulha num lago onde não se sabe o fundo, onde não se conhece os peixes, as ervas, a água. Pensava que deveria calcular, medir, pensar, não se jogar como quem boia na tranquilidade de uma piscina de água quente. Não deu. Não quis. Não conseguia. Não era da sua natureza medir tanto naqueles assuntos de rio. Era daquelas que ia pisando pé até a beira. Fitava o rio, admirava sua beleza, se inebriava com seu reflexo na água. E se sentisse a água quente e cristalina, como aquela em que sonhava tantas vezes, não hesitava em imaginar como seria bom mergulhar nele todos os dias.
Ouvia vozes vindas de todos os lados, como almas penadas que insistiam que ela não deveria mergulhar no rio, nem fitá-lo, nem imaginá-lo, nem sonhar com ele. Diziam que naturezas como a sua não podiam se valer disso.
E ela, sentindo enorme atração por aquilo que via e não via dentro do rio, ficava ali, imóvel, esperando que o próprio rio desse o primeiro passo; assim ela não teria que fazê-lo.
Parada na beira do rio ouvia o canto dos pássaros, se distraia com a borboleta que passava, sentava, olhava para o céu sonhando com o dia que pudesse ser raio de sol, que entra levemente por dentro do rio e ilumina aquilo que não se vê.
Leve como a pena dos pássaros que ouvia cantar, a menina agora não queria saber se a água era muito fria, os se havia pedras escondidas por debaixo das ervas; queria apenas sonhar. Sonhar que água era morna e sem correnteza, sonhar que sua natureza era outra, sonhar que não havia pedras nem espinhos dentro do rio, sonhar que entraria nele assim todos os dias e que eles se completariam como 0 caule e a semente, o pólem e as flores. Queria poder sonhar, mesmo que, uma vez dentro do rio pudesse ser levada por uma correnteza para um lugar distante e inóspito.
Mergulhou dentro do Rio.
Ouvia vozes vindas de todos os lados, como almas penadas que insistiam que ela não deveria mergulhar no rio, nem fitá-lo, nem imaginá-lo, nem sonhar com ele. Diziam que naturezas como a sua não podiam se valer disso.
E ela, sentindo enorme atração por aquilo que via e não via dentro do rio, ficava ali, imóvel, esperando que o próprio rio desse o primeiro passo; assim ela não teria que fazê-lo.
Parada na beira do rio ouvia o canto dos pássaros, se distraia com a borboleta que passava, sentava, olhava para o céu sonhando com o dia que pudesse ser raio de sol, que entra levemente por dentro do rio e ilumina aquilo que não se vê.
Leve como a pena dos pássaros que ouvia cantar, a menina agora não queria saber se a água era muito fria, os se havia pedras escondidas por debaixo das ervas; queria apenas sonhar. Sonhar que água era morna e sem correnteza, sonhar que sua natureza era outra, sonhar que não havia pedras nem espinhos dentro do rio, sonhar que entraria nele assim todos os dias e que eles se completariam como 0 caule e a semente, o pólem e as flores. Queria poder sonhar, mesmo que, uma vez dentro do rio pudesse ser levada por uma correnteza para um lugar distante e inóspito.
Mergulhou dentro do Rio.
domingo, 27 de setembro de 2009
A (re) espera do fio
Se agarrou naquilo como se fosse sua última esperança. Tinha vivido dias pesados, opacos, quase perdidos. Aquele não. Aquele era a esperança de uma vida renascida, de vida alegre e vivida, de vida que havia vivido e não havia mais. Sabia que era ali que se sentia confortável, por maiores que fossem a pedras, pedras suas, que ela mesma punha no caminho, mas que ali, naquele lugar se sentia confortável e forte para tirar. Era ali, naquele lugar que sentia força e coragem suficiente para voltar atrás, pensar, repensar e agir sem medo de errar. Era ali que era grande, bonita, leve, viva. Então continuou se agarrando como se soubesse que, fora dali não haveria tanta chance. Fora dali era tudo mais incerto, mais deserto, mais bambo. Ali tinha tamanho, altura, estrutura. Fora se sentia como com pouca água, pouco ar, água morna, terra estranha.
Mas sabia da finitude do dia, do momento, daquele espaço onde podia ser. Onde era, onde perdia e se encontrava, lugar assim como casa da gente, quarto, espaço próprio.
Sentia como se tivesse voltado pra casa, lugar de onde nunca deveria ter saído, mas de onde teve que sair, não por vontade própria, mas por conta da vida que vai nos levando por caminhos que trançados e estranhos e quando vemos já estamos lá. E lá estava ela ali, se agarrando num pedacinho de passado confortante, que trazia consigo esperança de um futuro, assim, do jeito que ela queria. Daquele lugar conseguia enxergar um além limpo, livre, sem medo, dela. Dali via, havia jeito, havia esperança.
Mas como todo fio ou galho curto onde se agarra, aquele também se foi, se quebrou. Prometendo voltar dali a um mês ou dois, como mais um fio curto de vida vivida de verdade.
E agora ela, tão certa, tão segura em tantos campos, naquele terreno não sabia mais como agir. Sabia sim que voltaria aqueles dias pesados (talvez dessa vez nem fossem tanto), sem cor, esperando que um dia o fio volte, que o galho renasca ou que o vazio seja preenchido.
Ali estava ela sem esperança alguma. Sem solução alguma. Sem aquela vida ou previsão de vida alguma. Tão deserto como viver sem a esperança era talvez ter seu próprio fio oferecido e negado no instante seguinte. E agora só restava esperar.
sábado, 19 de setembro de 2009
Casa de Vó
Casa de Vó, mesmo vó vizinha, é coisa de descanso. É olhar a vista pro mar da hora de acordar, ao minuto antes de dormir. É acordar com cheiro de café pronto e mesa posta. É pão já na torradeira. Morar na casa de vó é compania e preocupação constante. É cuidado intenso que não termina nem ao apagar das luzes, pois a dela, do quarto, nunca se apaga. Fica sempre aquela luzinha que entra por debaixo da fresta da porta.
Casa de Vó é encanto eterno de cuidado materno, voterno. É não poder andar com pé descalço, não ficar na linha do vento, não pegar friagem, menina!
É doce quentinho da padaria, mesmo durante a dieta. É despojamento completo mesmo nos dias em que não se quer sair da cama.
Casa de Vó é barulho de passarinho na janela, cheiro de bolo de tangerina, arroz fresquinho, barulho de chuva.
Casa de vó é ter as vontades adivinhadas, surpreendidas, pensamentos lidos, carinho e compania antecipados.
É espaço grande pra dormir, pra sonhar, pra descansar. É cama firme, macia, segura.
Casa de Vó, da minha avó, é que dá mesmo vontade de ficar.
Casa de Vó é encanto eterno de cuidado materno, voterno. É não poder andar com pé descalço, não ficar na linha do vento, não pegar friagem, menina!
É doce quentinho da padaria, mesmo durante a dieta. É despojamento completo mesmo nos dias em que não se quer sair da cama.
Casa de Vó é barulho de passarinho na janela, cheiro de bolo de tangerina, arroz fresquinho, barulho de chuva.
Casa de vó é ter as vontades adivinhadas, surpreendidas, pensamentos lidos, carinho e compania antecipados.
É espaço grande pra dormir, pra sonhar, pra descansar. É cama firme, macia, segura.
Casa de Vó, da minha avó, é que dá mesmo vontade de ficar.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Traços Retomados
Olhou para aquele rosto como se procurasse nele um estranho ou um conhecido recente. Permeava seus traços como se buscasse não conhecer aqueles olhos, aquelas linhas, como se nunca houvesse sentido o toque daquelas mãos. Gostaria mesmo de não saber, de não conhecer ou quisesse que o tempo tivesse a capacidade de apagar, não só os fatos como aquilo que fica deles. Não era possível . Aqueles olhos lhe remetiam às mãos que lhe traziam o passado conjunto, os fatos já vividos e os momentos sentidos. Apesar de tudo não sentia dor forte. Era sim um sinal latente, como aqueles que querem mostrar que estão ali sem lhe fazer grande estrago. Mas o alarde já estava feito, ou então conseguiria olhá-lo como estranho recente ou conhecido passante. Não conseguia. E descobriu que nunca ia conseguir. Mãos, gestos, traços ficam como marcados na pele, no corpo e na lembrança, não sei se são para serem esquecidos. Olhava novamente e tentava buscar um jeito de olhar que não doesse tanto, uma posição onde não ficasse tão desconfortável, rememorando os traços - mesmo que não quisesse- se questionando sobre o possível futuro que nunca houve. Aos poucos foi encontrando o jeito, o gesto, aquele estado em que se respira fundo e volta-se o olhar para outro ponto, mantendo-se a referência, mas desfocando do objeto.
O sentir, o não querer estar perto desejando ardentemente estar, a luta interna permaneciam e provavelmente permaneceriam por bons longos anos ou eternamente. O que se transformava era a intensidade. Já não era tanto. Já era suportável. Já era possível conviver com sem pensar em. Já era possível.E assim retomou os meses perdidos, os amigos deixados de lado, os momentos esquecidos.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Pequena das pernas curtas
Saiu procurando um lugar para se esconder, um lugar para se encontrar. Achava o mundo daquelas rodas gigantes, que rodavam sem parar mas que ela não conseguia alcançar. Se sentia sozinha, perdida, diferente, indiferente. Corria para alcançar os lugares dentro da roda. Perdia a corrida, cansava de lutar. Chorava sentada na cama, procurando um lugar para não ficar, um não estar perdido como esse. Queria estar, ser, mas gostava mesmo era do verbo pertencer. Nada lhe cabia tão bem quanto pertencer. Pertencer ao vagão azul do trem, à cabine número 343 da roda gigante. Mas seus pertencimentos haviam se esvaziado no tempo. A roda tinha girado demais. Perdeu tempo, perdeu espaço, perdeu o lugar. Ou então seu espaço estava ali, no topo da roda gigante. Tentava seguir no seu fluxo, no seu caminho, sem se preocupar com a velocidade que ia. Mas não conseguir. Queria aquele vagão, o 343. Queria pertencer à ele, assim como ao vagão azul do trem. Outro que lhe dessem não tinha tanta graça nem tamanha importância capaz de lhe preencher. Queria ser do azul. O verde não lhe caía bem.
Continuava a se sentir diferente, pequena diante da imensa roda, pior. Pior sim, pois não havia conseguido alcançar o vagão lá em cima. Corria devagar, suas pernas eram curtas. Sentiu raiva por não poder ser como os outros, por não achar o seu lugar no mundo. Temia que os outros rissem dela, a achassem diferente; pequena, das pernas curtas.
Tentava gritar ao mundo tamanha injustiça não conseguir alcançar o vagão de cima. Queria que o mundo se compadecesse de sua dor. Mas ele assim não o fazia, não obedecia suas ordens como tanto queria. E de que adiantaria gritar e chorar ao mundo se a ele nada cabia fazer para aumentar o tamanho de suas pernas. Talvez devesse se conformar em entrar no vagão 24, ou no 32, ou pudera passear entre tantos vagões de baixo para descobrir em qual se sente melhor. Ou conseguir ser assim, feliz e aceita em qualquer vagão que entrasse. Mas ainda assim suas pernas curtas lhe doíam.
Talvez devesse procurar, não aumentar o tamanho de suas pernas ou culpar o deus do universo por elas, tinha de saber viver no chão e não no alto.
Continuava a se sentir diferente, pequena diante da imensa roda, pior. Pior sim, pois não havia conseguido alcançar o vagão lá em cima. Corria devagar, suas pernas eram curtas. Sentiu raiva por não poder ser como os outros, por não achar o seu lugar no mundo. Temia que os outros rissem dela, a achassem diferente; pequena, das pernas curtas.
Tentava gritar ao mundo tamanha injustiça não conseguir alcançar o vagão de cima. Queria que o mundo se compadecesse de sua dor. Mas ele assim não o fazia, não obedecia suas ordens como tanto queria. E de que adiantaria gritar e chorar ao mundo se a ele nada cabia fazer para aumentar o tamanho de suas pernas. Talvez devesse se conformar em entrar no vagão 24, ou no 32, ou pudera passear entre tantos vagões de baixo para descobrir em qual se sente melhor. Ou conseguir ser assim, feliz e aceita em qualquer vagão que entrasse. Mas ainda assim suas pernas curtas lhe doíam.
Talvez devesse procurar, não aumentar o tamanho de suas pernas ou culpar o deus do universo por elas, tinha de saber viver no chão e não no alto.
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